Overdose de heroína mata ex-modelo
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quinta-feira, 11 de junho de 1998
Renan Antunes Agência Estado 
A polícia confirmou ontem em Nova York que a ex-modelo brasileira Grace Le Duc, de 34 anos, organizadora de uma rede de prostitutas de luxo para executivos, celebridades e ex-jogadores de futebol brasileiros em Manhattan, morreu de uma overdose de heroína.
A morte de Grace, ocorrida em maio, provocou uma onda de boatos entre a comunidade brasileira da Rua 46 - um deles dizia que ela teria sido assassinada por algum cliente famoso.
O caso foi investigado pelo Esquadrão de Homicídios do 17º Distrito Policial de Manhattan, por 40 dias. A autópsia revelou a overdose. A família não contestou o inquérito.
Quem primeiro notou o desaparecimento de Grace, no final de abril, foram amigos que frequentavam os restaurantes Via Brasil e Emporium, na Rua 46, onde ela era presença constante.
Intrigados com sua ausência por vários dias, em 2 de maio eles alertaram a portaria do prédio onde ela morava. A maior preocupação dos amigos era pelo filho pequeno da ex-modelo, que ocasionalmente estava com ela.
O zelador, Mike Flynn, chamou a polícia. A porta foi arrombada. Grace estava morta, no chão da sala, em avançada decomposição, com uma seringa no braço. Não havia sinais de violência. O menino, soube-se depois, estava no Brasil, com os avós, desde janeiro.
Grace era mineira, vivia nos EUA desde 1988. De tipo mignon, sorriso perfeito, pele clara e longos cabelos negros, ela tentou carreira como modelo fotográfico, fazendo trabalhos de pouca expressão.
No início dos anos 90, Grace passou a trabalhar como descobridora de novos talentos para a agência de modelos Elite, com sede em Nova York e filial no Brasil. Na função, ela viajava com frequência para Rio e São Paulo, em busca de garotas bonitas.
Sempre agindo com total discrição, em algum momento de sua trajetória Grace começou a montar uma rede própria de prostituição. Usava algumas mulheres que não eram aproveitadas pela agência. Descoberta pelo dono da Elite, John Casablancas, foi demitida da função de recrutadora.
Grace prosperou. Montou sua rede. Operava por telefone. Tinha várias linhas em seu apartamento, o 27D do número 300 da rua 39. O prédio é um luxo só, administrado pelo exclusivo New York Health and Racket Club. As mulheres que ela agenciava para seus clientes eram mantidas em outro local.
Enquanto esteve em atividade, Grace ganhou muito dinheiro. Num só final de semana, passado em Washington com duas meninas de sua rede, conseguiu faturar US$ 10 mil.
Uma amiga calcula que Grace chegou a poupar quase US$ 400 mil, dinheiro que começou a perder quando se tornou dependente de drogas. Da pequena fortuna, não sobrou muita coisa. A polícia rastreou sua conta bancária, encontrando exatos US$ 546.
No apartamento na Rua 39, seus irmãos encontraram apenas roupas e calçados, mas em quantidade suficiente para encher 12 malas. Foram 18 pares de sapatos Lou Ferragno, 38 vestidos de seda da Bergdorf Goodman, quase 300 peças de lingerie da Victorias Secret.
No quarto, em cima da penteadeira, Grace mantinha apenas uma foto: dela mesma, de camiseta e calça jeans, com o filho no colo, num carrinho da Disneylândia.
Uma amiga contou que Grace pretendia escrever um livro sobre suas experiências, para alcançar a fama de Heidi Fleiss, a prostituta americana das celebridades de Hollywood.
Grace não deixou nada escrito. Seus irmãos cremaram o cadáver. As cinzas já foram enviadas para o Brasil, num pote de plástico.


