São Paulo, 09 (AE) - O relatório que a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo preparou sobre o envolvimento de policiais nas ações do narcotráfico e roubo de cargas vai indicar que 88% das denúncias não foram investigadas ou foram arquivadas de forma insatisfatória. Ao todo, segundo a Ouvidoria
há suspeitas de envolvimento de 481 policiais civis e militares nos dois tipos de crime. Entre os denunciados estão delegados, investigadores e oficiais de PM.
Por causa do alto índice de apuração considerada insatisfatória, a Ouvidoria decidiu reabrir todos os casos. Os nomes dos policiais envolvidos e um breve relato das denúncias serão entregues à Secretaria da Segurança Pública e à Procuradoria-Geral da Justiça.
A CPI do Narcotráfico já antecipou que pretende ter acesso ao relatório. A comissão montada na Assembléia Legislativa de São Paulo para investigar a ação do tráfico em São Paulo informou que também vai solicitar o documento à Ouvidoria para usar como base nas apurações. O relatório s ser divulgado amanhã (10) divide o Estado em três regiões: capital, Grande São Paulo e interior. Os dados da Baixada Santista foram computados como se fossem do interior.
O maior número de denúncias de policiais envolvidos com o narcotráfico vem justamente do interior. São 112. A cidade com maior número de reclamações é Santos. A Grande São Paulo tem 39 reclamações. A capital tem 102.
De acordo com o relatório, foram feitas, em 12 meses, 292 denúncias. Dessas, 253 são de envolvimento de policiais com o narcotráfico. O restante (39) é referente ao roubo de cargas.
Das denúncias sobre tráfico, 64% envolvem policiais civis, 27% militares e 3% funcionários das duas instituições. No caso de roubo de cargas, os policiais civis também são os mais citados: 74% ante 23% dos militares. Em 3% das denúncias há envolvimento de civis e militares. O ouvidor da polícia, Benedito Mariano, afirmou que o número de policiais denunciados é "significativo". Segundo ele, as denúncias de participação de funcionários das instituições envolvidas com o narcotráfico são as que mais preocupam a Ouvidoria. "São crimes graves que deixam de ser apurados."
Mariano citou o caso de um policial de Mogi das Cruzes que desde 1995 já foi denunciado dez vezes. O ouvidor não informou o nome do policial. "Sempre dizem que não há provas", afirmou. "As pessoas que vieram fazer a denúncia tiverem até de mudar de Estado porque foram perseguidas." A Secretaria de Estado da Segurança Pública foi procurada hoje para comentar as dados da Ouvidoria, mas não se pronunciou sobre o assunto.
Santos - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi, ao contrário do que havia prometido, não quis comentar hoje as declarações do prefeito de Santos, Beto Mansur. O prefeito disse na quarta-feira que estava preocupado com o narcotráfico no município e cobrou mais segurança do Estado. "Sinto que as polícias Civil e Militar poderiam fazer muito mais do que estão fazendo; o trabalho hoje é menor do que o deveria ser feito", disse Mansur.

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