Ouvidoria localiza parentes de João
Programa Quero Meus Pais encontrou irmã de paranaense que enfrenta drama em Goiás
Emerson Gonçalves
De Curitiba
Especial para Folha
O drama do paranaense João, 46 anos, que não possui sobrenome, parece estar perto do fim. No último dia oito, a Folha publicou a história deste cidadão, natural de Arapongas (norte do Paraná) e que vive em Goiás. Em 1984 ele perdeu todos os seus documentos. Ao tirar a segunda via da documentação, em um cartório em Tamarana, João, que é analfabeto, não percebeu que em todos seus documentos seu sobrenome foi omitido.
O caso acabou sensibilizando a coordenadora do programa Quero Meus Pais, da Ouvidoria do Estado do Paraná, Carmen Pareja. Li a reportagem na Folha e fiquei sensibilizada com o caso, disse. Através do nome dos pais Santiago Rodrigues de Andrade e Aparecida Maria dos Santos conseguimos localizar, na última semana, uma irmã casada de João que reside em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, chamada Neusa Aparecida de Arruda.
Procurada pela Folha, Neusa, 49 anos, relutou em admitir um grau de parentesco com o paranaense residente em Goiânia. Contudo, seu marido, Geraldo Rodrigues de Arruda, tem certeza que se trata do cunhado, desaparecido há mais de 20 anos. Veja esta marca no olho esquerdo. Isto aconteceu quando ele era mais novo e se machucou com um canivete, disse Geraldo. Após constatar que os pais eram os mesmos, a dona de casa pareceu acreditar que havia encontrado o irmão.
Apesar de satisfeita em localizar os familiares de João, Carmen Pareja adianta que a Ouvidoria não dispõe de recursos para promover o reencontro dele com seus parentes. Quanto à regulamentação dos documentos do paranaense, o jornal O Popular, de Goiânia, já o encaminhou para a assistência jurídica gratuita da cidade. E o órgão fez ao cartório de Tamarana o pedido de retificação dos documentos de João. Assim que for aprovado, o paranaense, poderá recuperar seu sobrenome e acrescentá-lo à certidão dos cinco filhos que herdaram o problema.
Desde que foi criado, em 1996, o Quero Meus Pais resolveu 325 casos, de 1.438 cadastrados. O resultado foi o encontro de 440 pessoas dadas como desaparecidas. Atualmente 413 ocorrências de desaparecimento continuam sem solução.





