Curitiba - O anúncio oficial do Conselho de Administração da Araupel feito anteontem sobre a indisposição da empresa em vender áreas da fazenda em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel) para a reforma agrária não abalou o otimismo da ouvidora agrária nacional adjunta, Maria de Oliveira. ''As discussões não encerraram. É apenas o início de uma grande negociação'', disse, certa de que a empresa teria sinalizado com a possibilidade de venda da área da Fazenda Araupel chamada Bacia.
Não é esse o entendimento do diretor da Araupel, em Porto Alegre (RS), Luiz Roberto Ceron. Ontem, ele reafirmou que a empresa não irá abrir mão de novas áreas. A proposta da diretoria, segundo ele, é de ceder a área da Bacia, que tem cerca de 2,3 mil hectares, para um assentamento provisório, desde que o Núcleo Agrícola Campo Novo, invadido por 1,5 mil famílias no último dia 12, seja totalmente desocupado. A área da Bacia foi ocupada há quatro anos por outro grupo de trabalhadores rurais sem-terra. Aproximadamente 2 mil famílias segundo o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná vivem nessa parte da fazenda.
Para negociar a remoção do acampamento do Núcleo Agrícola Campo Novo para outro local, no último dia 17, a ouvidora assinou um acordo com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), comprometendo-se a desapropriar ou comprar todas as áreas agricultáveis da Araupel.
O compromisso da ouvidora com o MST foi assumido um dia depois de uma reunião na Secretaria de Estado da Segurança Pública, em Curitiba, em que ficou previamente acertado entre governos estadual e federal e a direção da empresa que o acampamento seria transferido para a Bacia, e um dia antes do encontro de acionistas da Araupel com o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel.
''Está havendo um choque entre o posicionamento da empresa e o acordo feito pela Maria de Oliveira'', declarou Ceron. Segundo ele, ainda esta semana, a direção da empresa deve voltar a se reunir com representantes do Incra para discutir esse impasse.
A área da Bacia não interessa ao MST. Um dos líderes do acampamento na fazenda Araupel, Adelso Schwalemberg, argumentou que existe um acampamento no mesmo local há quatro anos e até agora o governo federal não resolveu a situação daquelas famílias.

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