Ituverava, MG , 02 (AE) - O temor de um conflito armado no campo envolvendo produtores rurais e integrantes dos movimentos de sem-terra devem levar os governos estadual e federal a tomarem medidas drásticas para um imediato desarmamento da comunidade rural. Uma reunião da Ouvidoria Agrária Nacional - ligada a Presidência da República, e o Movimento Nacional dos Produtores (MNP), em Uberaba (MG), foi o início das negociações.
O ouvidor, desembargador Gercino José da Silva Filho, escutou de William Koury, presidente do MNP, explicações sobre as denúncias das entidades como a Animação Pastoral e Social, Fetaemg, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, MST entre outros, de que os fazendeiros vem mantendo milícias armadas, fazendo reintegração de posse por conta própria e contratando jagunços para defender as terras.
Segundo Koury, "o MST está preocupado apenas em fazer política. Nós queremos é que os governantes sejam mais honestos e cumpram a Constituição". O risco de um confronto armado com integrantes do MST e simpatizantes não está descartado: "Eles (MST), acabaram de receber US$ 300 mil da França para treinar invasores em Uberlândia (MG). Nós, produtores, não podemos ficar de braços cruzados esperando para ver o que acontece" afirmou Koury e ainda comentou que "estamos sendo coagidos a ficar preparados para o pior" e comparou a situação agrária brasileira com a guerra civil que está acontecendo na Venezuela e na Bolívia. "Existe uma cautela muito grande e os governantes precisam começar a cumprir a lei.", completou.
Enquanto o MNP procura uma solução jurídica para conter as invasões, surge em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, um movimento que visa defender as propriedades rurais. A União de Defesa da Propriedade Rural (UDPR) já conta com diversos núcleos
de no máximo 30 produtores cada, onde uma viatura identificada com a marca da entidade percorre, 24 horas por dia, as fazendas. Nesses veículos , seguranças desarmados utilizam rádio-amador e telefones celulares para comunicar aos fazendeiros qualquer ameaça de invasão. Os próprios proprietários vão para o local e tentam a negociação com os sem-terra. Mais de 50% das invasões foram evitadas após conversa direta e promessa de cestas básicas aos integrantes do MST.
Membro do grupo da UDPR, Gercino Franco de Moraes, que é presidente do Sindicato Rural Patronal de Santa Vitória (MG), acha que a conversa vem primeiro, mas "quem não defender a terra que tem de todas as formas, não merece tê-las".
Solução - Para o ouvidor agrário nacional, "a situação no Triângulo Mineiro é muito grave e merece uma atenção especial". Ele disse que o Incra precisa tomar atitudes urgentes, como desapropriações de terras realmente improdutivas; aquisição direta de áreas rurais e implantar o Banco da Terra. "Existe a possibilidade, e tenho muito temor que aconteçam conflitos entre produtores e sem-terra e, se isso acontecer será muito ruim para o País".
Gercino José da Silva Filho, que está percorrendo as regiões de invasões, garantiu que "o desemprego é um dos fatores que mais vêm contribuindo para o aumento de pessoas nos acampamentos de sem-terra". A conversa que teve com o presidente do MNP "foi produtiva". Comentou que ouviu histórias sobre o treinamento de militantes do MST e a promessa de que os produtores "não vão radicalizar". "Evitar um conflito está difícil, mas não é inviável", concluindo que "tenho informações, apesar de negarem, sobre o armamento da população rural, e nós do governo precisamos tomar uma medida enérgica e urgente, antes que o pior aconteça".

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