‘‘Fomos traídos’’. Perplexos, o ouvidor nacional agrário, Gersino José da Silva, e a ouvidora-adjunta Maria de Oliveira acompanharam a ordem de prisão dada por agentes da PF a 16 líderes dos sem-terra que comandaram a ocupação da fazenda em Minas. O ouvidor tinha empenhado a palavra aos sem-terra que não haveria prisões quando o grupo de manifestantes deixasse a fazenda, invadida no sábado pela manhã.
Aos poucos, os sem-terra saíram da fazenda, primeiro crianças, depois as mulheres. Os líderes identificados pela PF foram deixados para o final.
Segundo Maria de Oliveira, os agentes não tinham mandado de prisão quando informaram que levariam os sem-terra, algemados, para a Superintendência da PF em Brasília.
Nas seis reuniões de negociação, os sem-terra questionaram o ouvidor sobre o que aconteceria se a promessa não fosse cumprida. Ele deixou claro que pediria demissão imediatamente. Cumpriu a palavra, acompanhado da ouvidora-adjunta. Ambos estavam no cargo desde 1999, quando foi criada a ouvidoria agrária. ‘‘Nunca passamos por um constrangimento igual’’, indignou-se Maria. A ouvidoria trata de conflitos no campo envolvendo posseiros, índios e garimpeiros, além dos sem-terra.
‘‘Não houve traição, jamais foi negociada a não prisão de quem quer que seja’’, contestou o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira. ‘‘É possível que tenha havido um mal-entendido’’, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann.

mockup