Ouvidora negocia com MST e ruralistas no Oeste
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A ouvidora agrária nacional adjunta, Maria de Oliveira, chega hoje pela manhã ao distrito de Rio do Salto, em Cascavel, onde pretende participar de rodadas de negociações entre ruralistas e trabalhadores rurais sem-terra que invadiram há mais de uma semana uma nova área do complexo Cajati, formado por fazendas pertencentes ao Grupo Festugato. Maria de Oliveira pretende apaziguar os ânimos. Os ruralistas acusam os sem-terra de retirar cerca de 650 bovinos da propriedade e de invadir a Fazenda Castelo, vizinha ao complexo Cajati, para plantação. ''Os sem-terra avançaram a área limite do complexo. Houve o estremecimento das bases ruralistas e o anúncio de um enfrentamento armado'', afirmou Maria de Oliveira.
A ouvidora pediu calma aos ruralistas e aos sem-terra. Na reunião de hoje, Maria de Oliveira pretende solicitar aos proprietários do Cajati que reservem uma parte da propriedade que tem 35 mil hectares para que os sem-terra iniciem a produção para subsistência. Ela pretende acertar um comodato de curto prazo com os fazendeiros até que as 1,5 mil pessoas acampadas no local possam ser removidas para uma nova área. Ela quer ainda que o grupo Festugato ofereça terras para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) compre. ''Temos o intuito de forçar uma negociação. Estamos aqui para isso'', disse.
Ontem, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do governo do Estado os secretários Luiz Fernando Delazari, da Segurança e Padre Roque Zimmermann, do Emprego e Promoção Social estiveram reunidos em Curitiba para discutir uma solução para o impasse. O MST se comprometeu a evitar novas ocupações da Fazenda Castelo para plantio.
Entre os pontos de conflito no Estado, Maria de Oliveira lembrou a situação das fazendas da região Central. Duas delas estavam com planos de reitegração de posse traçados pelo governo do Estado. Na Fazenda Sonda, em Santa Maria do Oeste (90 quilômetros de Guarapuava), onde 300 famílias estão acampadas, houve uma tentativa de reitegração de posse. No entanto, os sem-terra teriam resistido à desocupação, fazendo protestos nas rodovias. Na Fazenda Império, em Cândido de Abreu, outras 85 famílias devem ser retiradas do local. ''Acho que agora não é hora de reitegração de posse. É hora de negociação'', reforçou Maria de Oliveira.
Na reunião de ontem entre governo do Estado e MST, Delazari reforçou a intenção de desocupar as duas áreas. O MST concordou em deixar a Fazenda Sonda em um prazo de cinco dias. Não houve acordo no caso da Fazenda Império.
O superintendente estadual do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, disse que já foram realizadas 150 vistorias em fazendas no Paraná. A expectativa é a de que 10% delas sejam improdutivas. Três pedidos de desapropriação foram encaminhados para Brasília. As áreas poderiam abrigar cerca de 600 famílias. Cerca de 35 mil hectares de terra estão sendo negociados no Paraná.


