São Paulo, 22 (AE) - O ouvidor da polícia de São Paulo, Benedito Domingos Mariano, vai entregar à Secretaria da Segurança Pública e aos comandos das Polícias Civil e Militar uma relação dos policiais mais citados em denúncias de crimes gravíssimos no Estado. O secretário interino da Segurança, Mário Papaterra Limongi, informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que só vai se manifestar a respeito do assunto quando tomar conhecimento oficial do documento e fizer um leitura aprofundada do relatório.
Serão duas listas, com os 20 líderes de acusações na Polícia Civil - 10 delegados e 10 de outras carreiras - e na Polícia Militar - 10 oficiais e 10 praças. Além disso, Mariano defenderá o afastamento dos policiais que estiverem sendo alvo de mais de um processo administrativo (policiais civis), conselho de disciplina (praças da PM) ou de justificação (oficiais da PM).
Sobre as denúncias, Mariano citou o caso de um investigador contra quem existem mais de dez acusações gravíssimas, relativas a tráfico de drogas, concussão (crime de extorsão praticado por funcionário público), formação de quadrilha, corrupção passiva e corrupção de menores. "Apesar disso tudo, ele continua trabalhando na rua", afirmou o corregedor.
O mais recente pedido de afastamento dos policiais sob investigação em São Paulo foi feito em 1993. Na época, o pleito custou o cargo ao então diretor da Corregedoria da Polícia Civil
delegado Guilherme Santana - decisão tomada pelo então secretário da Segurança, Michel Temer.
Agora é a vez de Mariano. O ouvidor, no entanto, vai mais longe do que Santana. No caso da Polícia Civil, ele pede que se cumpra dispositivo da lei complementar à lei orgânica da instituição que prevê o afastamento de policiais submetidos a processo administrativo para a apuração do caso. Além de ser afastado, o policial teria de entregar distintivo, algema e a arma. "Ou seja, é só cumprir a lei 523/87", disse Mariano.
Crescimento - As acusações de corrupção contra a polícia paulista cresceram em 1999. As denúncias de concussão, por exemplo, aumentaram de 220 em 1998 para 379 no ano passado. Dessas, 73% (277) envolviam policiais civis. Eles também lideram as acusações de envolvimento com tráfico de drogas (70%), roubo de cargas (75%) e corrupção (70%). Já os policiais militares são mais citados em denúncias de homicídio (78%) e abuso de autoridade (68%).
A partir de 1998, a Ouvidoria passou a montar um banco de dados com os policiais acusados. Hoje, a lista já tem 5.394 casos. Para o ouvidor, o fato de não terem sido apuradas várias das denúncias encaminhadas às polícias revela a fragilidade das corregedorias das duas instituições. "É necessário um órgão corregedor unificado e independente."
Limongi informou que, embora o trabalho da Ouvidoria de Polícia seja importante, a secretaria tem uma dinâmica própria. Sua assessoria citou como exemplo a publicação na edição de hoje do Diário Oficial do afastamento de um oficial da PM envolvido em irregularidades num desmanche.

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