Maringá - O ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho pediu ontem para a juíza Elizabeth Khater, do Fórum de Loanda, noroeste do Estado, a liberdade de oito líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que há mais de dois anos estão com prisão preventiva decretada. Silva Filho intermediou o pedido durante uma audiência pública em que foram interrogados os líderes Delfino Becker e Adalberto Vargas Guaitanelli.
Segundo o ouvidor, a prisão dos líderes não cabe mais porque nenhum deles prejudica o processo criminal. A juíza Elizabeth Khater decretou a prisão em janeiro de 2000, depois da denúncia feita pelo Ministério Público contra 12 lideranças do movimento. Eles são acusados de sequestro e furto porque em dezembro de 1999 teriam retirado à força o tesoureiro Celso Antonio Backes, do Assentamento Luis Carlos Prestes, em Querência do Norte.
Na ocasião, quatro líderes foram presos, interrogados e liberados. Os demais esperam a revogação da preventiva. Silva Filho entregou para a juíza e ao Ministério Público um acordo feito entre Backes e o MST. O movimento se comprometeu a indenizar o tesoureiro em R$ 5 mil.
Para Silva Filho, a liberdade dos líderes é importante para completar o resultado positivo do acordo feito no final de 2000 entre o MST, o Incra e a Ouvidoria. No acordo, o MST prometeu o fim das invasões com a contrapartida de agilidade nos assentamentos e nos processos que apuram homicídios ocorridos contra sem-terra durante conflitos no campo.
Segundo o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, o órgão tem o compromisso de assentar 4.200 famílias em 60 mil hectares de terras no Estado.
Becker e Guaitanelli negaram a participação no crime, e a prisão foi revogada no início da noite de ontem. Outros seis líderes estão com interrogatórios marcados para amanhã e segunda-feira.
Proibição - A juíza Elizabeth Khater proibiu ontem a entrada de jornalistas e fotógrafos na audiência pública realizada na sala do Tribunal de Júri de Loanda. Khater deu ordens expressas para que policiais militares impedissem a presença da imprensa, inclusive no interior do prédio do Fórum. ‘‘É a primeira vez que vejo esse tipo de proibição em uma audiência que é pública’’, disse o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.
Durante a audiência, o advogado Percílio de Souza Neto, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pediu para a juíza que liberasse os jornalistas ou pelo menos deixasse os fotógrafos registrarem o encontro. O pedido foi negado e a magistrada só liberou a abertura das portas no final da audiência.
Além do ouvidor agrário, participaram da audiência líderes e integrantes do MST de assentamentos da região, integrantes da Comissão Pastoral da Terra e de entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos. Esta é a quarta vez que o ouvidor nacional vai para Loanda, cuja comarca concentra o maior número de processos cíveis e criminais de conflitos agrários do Paraná.

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