A reocupação da Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, por cerca de 40 famílias anteontem, quase pôs fim ao acordo estabelecido entre o MST, Incra e Ouvidoria Agrária do Ministério da Justiça na semana passada. O ouvidor agrário Gercino José da Silva Filho teve que atuar como bombeiro para evitar a quebra do acordo. Na reunião do dia 15, o movimento tinha se comprometido a interromper as invasões pelo período de quatro meses e, em contrapartida, o governo não realizaria desocupações.
Ontem, o ouvidor agrário gastou boa parte do dia para convencer o MST a deixar a Fazenda Água da Prata. Ele procurou também acalmar a superintendência regional do Incra e o governo do Estado, que ficaram irritados com a quebra da palavra do MST. No fim da tarde, o ouvidor obteve o compromisso de José Damasceno, um dos coordenadores do movimento, de que as famílias iriam desocupar a área em dois dias.
No começo da tarde, o assessor fundiário do governo do Estado, Antônio Carlos Coelho, considerava que o MST tinha quebrado o acordo. No entanto, o ouvidor pediu tempo ao governo do Estado e ao Incra. Usando o argumento de que o processo de desapropriação de terras, incluindo a da Fazenda Água da Prata, seria interrompido, ele convenceu o MST a suspender a invasão. Damasceno conseguiu do ouvidor a possibilidade dos sem-terra realizarem a colheita na fazenda.
Para a União Democrática Ruralista (UDR), o Incra agiu de forma parcial no acordo até pelo fato de não ter incluído na negociação nenhuma entidade representante dos proprietários de terras. A polícia de Paranavaí prendeu ontem José Ivo Lopes Furquim, 51 anos, acusado de ser o responsável pelo recrutamento dos seguranças da Fazenda Água da Prata, que podem estar envolvidos na morte do assentado Sebastião da Maia. Dos cinco seguranças foragidos, Rafael Alves de Oliveira se entregou ontem para a polícia e negou participação na morte do assentado.

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