O ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, sociólogo Benedito Domingos Mariano, criticou ontem a atitude do comando da PM, que divulgou as fotografias dos cinco policiais indiciados no inquérito militar pela morte de três rapazes na Baixada Santista no último dia 17.
As fotos das fichas individuais do segundo-tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira e dos soldados Edvaldo Rubens de Assis, Humberto da Conceição e Marcelo de Oliveira Christov foram colocadas anteontem à disposição de jornais e emissoras de TV. A do terceiro-sargento José Carlos Ferreira foi divulgada ontem.
Segundo Benedito Mariano, embora existam indícios de participação dos PMs no crime, eles ainda não foram julgados, nem condenados pela Justiça para que tivessem suas identidades reveladas.
‘‘Pessoalmente, acho muito estranho divulgar a foto em razão de eles terem sido indiciados. A exposição da imagem da pessoa pode induzir a opinião pública a achar que, de fato, eles são culpados’’, disse o ouvidor. Mariano afirmou que o procedimento da Ouvidoria ao tornar públicas denúncias recebidas contra policiais é divulgar, no máximo, as iniciais dos nomes dos envolvidos.
Jaime Camilo Marques, advogado do tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira, afirmou que vai ingressar na Justiça com uma medida contra os responsáveis pela divulgação das fotos. ‘‘Estou reunindo elementos para responsabilizar quem liberou essas fotos para a imprensa’’, afirmou. O argumento do advogado é o mesmo do ouvidor - como os policiais não foram julgados, não podem ser apresentados publicamente como culpados. ‘‘Vamos admitir que eles sejam absolvidos. Mesmo assim, vai ficar sempre uma suspeita. Eles (a PM) acabaram com as vidas desses rapazes’’, declarou.
O major Antonio Carlos Biagioni, da Seção de Comunicação Social do Comando Geral, afirmou que a PM agiu de forma ‘‘coerente e legal’’ ao adotar o procedimento de divulgar as fotos dos acusados.
De acordo com o major, essa atitude somente foi tomada após o indiciamento dos policiais no inquérito militar e depois de o crime estar ‘‘praticamente desvendado’’, segundo ele.
‘‘Hoje, está sendo apresentada a quinta fotografia (do sargento Ferreira). Agora, eles não são mais suspeitos, mas indiciados. Está acintosa a situação de máximo envolvimento deles’’, declarou. Para o oficial, não é interesse da PM transmitir uma ‘‘sensação de acobertamento’’, o que aconteceria, de acordo com dedução do major, caso as fotos não fossem apresentadas.
‘‘Não é uma postura leviana. As provas são extremamente contundentes. A Corregedoria (que investiga o caso no âmbito militar) é extremamente profissional e translúcida’’, declarou.
Segundo Biagioni, um eventual erro teria sido cometido caso a divulgação das fotografias ocorresse antes do indiciamento. ‘‘Somente em casos onde não há certeza, onde impere a dúvida, não se mostra (as fotos)’’, afirmou.Folha ImagemPolicial acusadoReprodução de fotografia do sargento da PM José Carlos Ferreira, indiciado pelo assassinato de três garotos que saiam de um baile de carnaval em São VicenteAgência Folha

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