Luiziana - O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, disse ontem que vai cobrar do secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, por que a Polícia Militar impediu o acampamento de um grupo de sem-terra às margens da PR-549, em Luiziana (Noroeste do Estado). A ação da PM aconteceu anteontem de manhã, quando cerca de 50 sem-terra chegaram ao local. Gercino esteve ontem em Luiziana para discutir o problema.
‘‘Minha conversa será com o seu secretário’’, disse o ouvidor agrário se dirigindo ao comandante do 11º Batalhão da PM, major Nélson João Casarolli. Gercino lembrou que existe um acordo com o governo do Estado desde novembro de 2000 para que só aconteçam despejos de sem-terra com ordem judicial. Casarolli havia dito que a ação de quarta-feira foi um flagrante e que ele tinha ordens superiores de Curitiba.
Na reunião de ontem em Luiziana, o ouvidor tentou resolver um conflito entre sem-terra e a PM. Desde o final de dezembro, a polícia já retirou três vezes os sem-terra das margens da rodovia. Em apenas uma delas havia ordem judicial. Somente hoje a prefeitura de Luiziana deve anunciar se vai se opor ou não a um acampamento provisório na beira da estrada. ‘‘Será que não sobra mais nem margem de BR pra gente ficar?’’, questionou Ireno Procnuoe, do MST.
O superintendente regional do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, informou que existem cinco áreas em Luiziana que podem ser desapropriadas para assentar cerca de 70 famílias. O coordenador geral da prefeitura, Carlos Alberto Salvadori, disse que o local onde os sem-terra querem ficar é perigoso, uma vez que a rodovia não tem acostamento. Ele também afirmou que o município não tem como oferecer saúde e educação para as famílias que ocuparem o local.

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