O ouvidor agrário nacional, José Gersino da Silva, afirmou ontem que vai iniciar o desarmamento no campo pelo Paraná. Ele disse que o trabalho deve começar por Querência do Norte, Noroeste do Estado, em 60 dias, no máximo, e contará com a ajuda da Polícia Federal. ‘‘Desarmando os dois lados vamos acabar com o clima de tensão e a possibilidade de conflitos’’, acredita ele. Silva esteve na região acompanhando as investigações sobre a morte do líder do MST, Sebastião da Maia, ocorrida na terça-feira.
Conforme informou o ouvidor, a Polícia Federal está auxiliando nas investigações da morte de Maia que, segundo lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST), foi assassinado por seguranças da Fazenda Água da Prata.
A passagem de Gersino da Silva pela região serviu ao menos para acalmar os ânimos. Os sem-terra prometeram ao ouvidor uma trégua diante das promessas feitas. ‘‘Vamos marcar uma reunião com os fazendeiros em Curitiba e ver se o Incra compra a Fazenda Água da Prata para assentar o pessoal que estava lᒒ, adiantou Gersino da Silva. A Água da Prata, em Querência do Norte, foi desocupada duas vezes em menos de uma semana. Maia foi morto depois da última reocupação.
Ontem policiais federais de Guaíra ouviram alguns sem-terra que participaram da reocupação da Água da Prata. Gersino da Silva disse que o MST tem informações para se chegar aos responsáveis pelo crime, mas a polícia vai ouvir as partes ‘‘para não cometer injustiças’’.
O ouvidor agrário se comprometeu a voltar ao Paraná, possivelmente na próxima semana, para acompanhar a reintegração de todas as áreas consideradas produtivas. ‘‘Não sei quantas são, mas queremos agilizar o processo inclusive de desapropriação das áreas improdutivas’’, avisou. Segundo o comando da Polícia Militar, que fez as desocupações na região, existem mais quatro mandados de reintegração em Querência do Norte.
O delegado-chefe de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, reclamou do comportamento dos sem-terra, que não foram depor sobre o caso. ‘‘Esperamos os sem-terra por dois dias, mas eles só querem falar para a Polícia Federal, que depois vai nos mandar os depoimentos’’, explicou. Para Canhoto, o MST devia ser mais ágil na questão, já que existem cinco suspeitos presos com as armas. ‘‘O advogado já está exigindo uma posição para liberar os suspeitos’’, alerta.
Canhoto lembrou ao MST que, apesar de contar com ‘‘pouco apoio’’ dos sem-terra, a Polícia Civil conseguiu chegar a um dos envolvidos no assassinato de Eduardo Anghinoni, morto há quase dois anos em um assentamento de Querência do Norte. Eduardo é irmão de um dos coordenadores do MST na região, Celso Anghinoni. ‘‘Nossa dificuldade é que somos cobrados pela Secretaria de Segurança e não temos a colaboração do MST’’, desabafa. Coordenadores do movimento alegam que a polícia atua junto com os fazendeiros para identificar e matar sem-terra.

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