Curitiba - O implante coclear multicanal, também chamado de ‘‘ouvido biônico’’, não se trata apenas de um amplificador de som. Funciona estimulando as fibras do nervo auditivo, substituindo parcialmente as funções da cóclea (órgão interno responsável pela audição), transformando os sinais sonoros em sinais elétricos, que são transmitidos ao centro cerebral da audição. Existe indicação do implante apenas para adultos com perdas profundas da audição e portadores de deficiência auditiva sensorial bilateral de grau severo, que não conseguem escutar e nem entender 40% dos sons enquanto usa próteses auditivas.
  ‘‘O paciente surdo não tem audição para aumentar. Temos que substitutir a cóclea danificada por um componente eletrônico que é o implante’’, explica o otorrinolaringologista Maurício Buschle. ‘‘O mais difícil é a seleção do paciente. Não basta ter a deficiência. A avaliação é feita através de vários exames por uma equipe multidisciplinar, que deve ter, pelo menos, seis profissionais entre fonoaudiólogos, cirurgião e psicólogo’’, explica. Segundo o médico, há contra-indicação para pessoas que apresentam benefício com o uso de aparelhos auditivos convencionais ou para pacientes com agenesia coclear ou de nervo auditivo.
  Após testes com aparelho auditivo, o paciente passa por exames que determinam o grau de compreensão das palavras, que num candidato adulto deve estar abaixo de 50%, enquanto que a criança precisa entender menos de 30%. ‘‘O médico ainda avalia a leitura labial do paciente, que ainda será examinado por uma psicóloga para saber como será a reabilitação futura’’, detalha Buschle, explicando que na reabilitação o paciente precisa corrigir a oralização, duas a três vezes por semana, e ter apoio psicológico.
  ‘‘Para manter o aparelho funcionando é preciso trocar as pilhas a cada três dias o que significa um custo mensal de R$ 200,00, exceto para aqueles que optam por bateria recarregável’’, acrescenta. Também é necessário fazer o balanceamento do som e volume – que é ativado só após 30 dias da cirurgia – a cada dois ou três meses, no primeiro ano.
  Segundo o otorrino, desde de 1985, existe no Brasil o implante coclear monocanal, que estimulava a cóclea como um todo, aumentando o som de uma vez só. Já o multicanal é praticado no País há cerca de dez anos. (F.G.)

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