''Eu ouço o som e é como se ele próprio já falasse sol, dó ou mi.'' Sara Cristina Secco Delallo tinha 3 anos quando sua mãe descobriu que ela possuía ouvido absoluto, um dom raríssimo. Quem tem é capaz de identificar diferentes frequências sonoras. Isso significa que quem aprende música consegue separar essas frequências em notas musicais.
''Minha mãe dava aulas de piano no fundo de nossa casa, e desde recém-nascida eu ficava ali do lado do piano. Aí com 3 anos ela me ouviu cantar Marcha Soldado, mas só dizendo as notas'', conta.
Na infância Sara lembra que uma de suas brincadeiras prediletas era identificar as notas em sons do dia a dia - desde um canto de pássaro até o click de uma máquina fotográfica. ''Quando eu era adolescente gostava de me gabar que tinha ouvido absoluto, mas com o tempo achei melhor ser discreta. Porque a gente erra. Numa apresentação, por exemplo, existe toda uma ansiedade e quando alguém sabe que eu tenho ouvido absoluto surge meio que uma pressão, as pessoas muitas vezes querem testar'', aponta.
Sara tem um irmão mais velho e outro mais novo. Ela conta que os três tiveram uma infância semelhante em Astorga (Norte), com um contato precoce com a música. Mas apenas ela tem ouvido absoluto. ''Acredito que nasci com essa predisposição, mas é preciso muito treino. Li uma vez numa revista que o ouvido absoluto está no gene do pai. Meu pai tem uma facilidade imensa para línguas, ele é professor de inglês, talvez ele pode até ter essa predisposição para ouvido absoluto e nem saber pois nunca se envolveu com música'', aposta. Já os avós dela eram agricultores.

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