Guarulhos, SP, 12 (AE) - Em Guaruhos, dois crimes abalaram os moradores em 1997. Em 13 de junho, o secretário municipal de Finanças, Manuel Rezende da Silva, de 63 anos, foi assassinado. Depois de quatro meses, o acusado do crime, Aparecido Gomes Pereira, ex-gerente-geral da empresa de segurança bancária Resilar, também foi morto.
Silva morreu quando chegava em casa, no centro da cidade. Segundo testemunhas, ele teria sido executado com cinco tiros.
Funcionário da prefeitura há cerca de 30 anos, Silva investigava fraudes e irregularidades nas contas do município, entre elas as dívidas judiciais, os chamados precatórios.
As informações foram confirmadas pelo prefeito afastado Néfi Tales. De acordo com o ex-prefeito, Silva estava moralizando as contas públicas, mesmo enfrentando ameaças.
O ex-secretário vinha brigando com diversas empresas que prestam serviços para a prefeitura de Guarulhos. Alegava que não cumpriam os contratos e havia superfaturamento. A duas delas, uma pavimentadora e a Resilar, Silva determinou a suspensão dos pagamentos previstos.
A morte do ex-secretário de Finanças só foi esclarecida quatro meses depois. Responsabilizado pelo atentado, Pereira foi assassinado com 12 tiros. O corpo de Pereira foi encontrado num matagal da Serra da Cantareira. Os investigadores acreditam que Pereira morreu porque sabia da ocorrência de fraude na relação da empresa com a prefeitura.
Em fevereiro de 1998, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado da Assembléia Legislativa apurou que o superfaturamento da empresa de segurança Resilar com a prefeitura de Guarulhos teria sido o motivo dos dois assassinatos.
Em abril de 1998, foi comprovado que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em 29 de outubro de 1997, apontou Pereira como autor do assassinato de Silva. O testemunho do rapaz que o viu atirar e correr com a arma na mão foi considerado fundamental para esclarecer o crime.
A não-liberação do dinheiro para pagar a Resilar teria sido o motivo da execução do ex-secretário. Depois da morte de Silva, Tales liberou todas as cotas que a empresa de segurança reivindicava. Mais tarde, renovou o contrato.

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