Brasília, 20 (AE) - Entre os documentos (152 itens) apreendidos por procuradores federais na casa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, no Rio de Janeiro, destacam-se os registros de alterações contratuais nas empresas Macrométrica Pesquisas Econômicas Ltda., Macrométrica Projetos Econômicos SC Ltda., Macrométrica Consultora de Economia SC Ltda., Macrométrica Assessoria Financeira SC Ltda. e Macrométrica Sistemas SC Ltda. Outro destaque é um termo de compromisso com os dizeres "Compromisso Fábio-Ciça: Fica acordado que Fábio encerrará a conta corrente no Banco Itaú e em qualquer outro banco e não abrirá nova conta corrente durante 36 meses. Fábio transferirá cotas da Macrométrica Sistemas para Ciça. Ciça pagará a Fábio o valor da retirada normal de lucro correspondente a 48% da Macrométrica Sistemas deduzida a parcela de pagamento do empréstimo mais o desconto do Imposto de Renda a ser estipulado pelo Sr. Ivo.- Parcela Mensal de pagamento de empréstimo será de R$ 650,00 durante 36 meses.-Este compromisso vale por 36 meses ao final dos quais Ciça transferirá de volta a Fábio as cotas da Macrométrica Sistemas se todas condições do acordo forem cumpridas. Rio de Janeiro, 21-12-1998. Assinado: Fábio, Ciça e Bruno".
Os senadores da CPI dos Bancos não sabem ainda quem é Fábio. Ciça é Araci Benites dos Santos Pugliese, mulher de Lopes, e Bruno é filho dela. Outro documento é a carta, já divulgada, que menciona depósito de US$ 1,675 milhão no Exterior pertencente a Lopes e sob custódia de Sérgio Luiz de Bragança.
Entre os documentos apreendidos pelos procuradores federais na casa do presidente do Banco Central Francisco Lopes, no Rio, e que constam do auto de apreensão entregue aos senadores da CPI dos Bancos, há também uma cópia de correspondência (via fax) do fundo Marka Nikko enviada do Rio de Janeiro no dia 18 de janeiro de 99, às 15h16, para Francisco Lopes e que diz: "Prezado Francisco Lopes, sei que as questões são macro. Mas resolvi recorrer a V. Excia., porque a Marka Nikko foi afetada por uma confluência de fatores adversos: primeiro, está na posição errada: segundo, porque os fundos derivativos tiveram grande voluma de saques; terceiro, por causa da regra da BM&F (ajuste paulatino), tive que realizar ativos bons (juros e bolsa) e ficar com ativo ruim" (o futuro de câmbio). De modo que tenho um grande risco de ter os fundos com enorme rentabilidade negativa ou mesmo de quebrar. Por isso estou escrevendo a V. Excia. para analisar a situação. Estimaria muito que me desse dez minutos no telefone. Agradeço sua atenção, com admiração, Francisco de Assis".
Do auto de apreensão constam também extratos bancários, agendas, cartões de visita (inclusive do então managing director do Soros Fund Management, Armínio Fraga, atual presidente do Banco Central), faturas, disquetes de computador e objetos pessoais.

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