Outro ônibus é queimado, em dia de protesto
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi 
São Paulo, 24 (AE) - Outro ônibus foi queimado em São Paulo. Dessa vez, um grupo de incendiários obrigou os passageiros a descer do carro para atear fogo e arremessar bombas caseiras no veículo. Com esse, já são 21 ônibus destruídos desde o dia 14 de janeiro.
O ataque ocorreu por volta das 18h30 na Avenida Cruzeiro do Sul, próximo da Estação Santana do metrô. A Assessoria de Imprensa da São Paulo Transporte (SPTrans) não soube informar o número de passageiros no carro. Ninguém ficou ferido.
Os incendiários fugiram do local sem ser identificados. Também não havia confirmação de que os autores do ataque eram perueiros. Até as 20h, a SPTrans não tinha sido registrado boletim de ocorrência.
Hoje, a Prefeitura apreendeu mais 20 lotações clandestinas durante as blitze. Em uma das operações, os fiscais flagraram um perueiro clandestino pondo os passageiros para fora do carro, na Barra Funda, zona oeste. Paulo Roberto Mou, de 41 anos, seguia pela Rua Mário de Andrade e ao ver os fiscais tentou escapar.
Na fuga, com o carro andando, empurrou as passageiras Maria Dolores Lopes Costa e Noemia Paula Santos para fora do veículo. Elas sofreram escoriação, foram levadas para o hospital e liberadas.
Depois, ainda na mesma rua, Mou bateu na traseira de uma Kombi e num Passat. O acidente ocorreu às 13h30. Ele ainda tentou fugir a pé, mas foi detido pelo motorista de um dos carros atingidos. Mou foi levado para a 77ª Delegacia de Polícia e indiciado por lesão corporal e direção perigosa. Ele admitiu ter fugido da fiscalização, mas negou ter empurrado as passageiras. Os motoristas dos outros veículos nada sofreram. Cerca de 200 fiscais, guardas metropolitanos e policiais militares participaram da blitz.
Protesto - Cerca de 400 perueiros decidiram acampar na frente da Prefeitura para pedir o cadastramento da categoria e o relaxamento das blitze até o término do edital. Eles ficaram no local de 0h30 às 10h30 - quando Pitta, que considerou a ação uma afronta e ameaçou multar todos eles. Os perueiros retiraram os veículos. A Assessoria de Imprensa da Prefeitura informou que o pedido será analisado, mas as blitze continuarão.
Ainda à tarde, um grupo de motoristas, cobradores e populares, com faixas e bandeiras do do PC do B, realizaram uma manifestação em frente da Câmara Municipal.
"Essa é a primeira de uma série de manifestações que o Sindicato dos Motoristas vai fazer para promover uma discussão pela qualidade de barateamento da condução", disse o presidente do sindicato, Gregório Poço. "O transporte coletivo urbano de São Paulo está sucatado e atendendo muito mal a população", acrescentou.
Violência - A SPTrans espera, com o apoio da Polícia Militar, diminuir o número de ocorrências envolvendo perueiros durante as blitze. Só no ano passado houve 375 incidentes, de tentativas de homicídio e agressões e acidentes de trânsito. Até o dia 16, a SPTrans já havia registrado 42 ocorrências. Em 1997 e 1998, o número de casos chegara a 228.


