Mumbai, Índia Cantando, dançando e lançando palavras de ordem, milhares de ativistas vindos do mundo inteiro e dos quatro cantos da Índia se manifestaram ontem nas ruas de Mumbai, no oeste da Índia, para o encerramento do Quarto Fórum Social Mundial, que reafirmou: ''Outro mundo é possível''. Delegações dos dalits, ou ''intocáveis'', o estrato inferior no rígido sistema de castas que prevalece na Índia há mais de 2.000 anos, participaram da manifestação, junto com ativistas europeus, australianos, latino-americanos, africanos e de outros países da Ásia.
Quase todas as causas do movimento antiglobalização, que reuniu durante seis dias em Mumbai 100 mil ativistas, estavam representadas na marcha: desde as dos camponeses do planeta até os monges tibetanos, passando pelas exigências de sindicatos ou associações de mulheres. Pacifistas sul-coreanos desfilaram ao lado dos dalits, que pediam ''a abolição do sistema de castas'', de camponeses brasileiros membros do MST e de representantes de indígenas guatemaltecos, equatorianos e bolivianos.
Numerosos cartazes e faixas agitados pelos participantes exigiam a saída das tropas americanas do Iraque. Inclusive as camisetas que usavam os manifestantes revelavam a rejeição ao presidente americano, George W. Bush. ''Um povoado do Texas perdeu seu idiota'', dizia uma, usada por Mark Keene, de Boston (nordeste dos Estados Unidos).
A marcha ''refletiu o espírito do Fórum de Mumbai, onde os excluídos tiveram uma presença mais maciça do que nos três anteriores Fóruns de Porto Alegre'', nos quais a maior participação vinha da classe média'', disse o italiano Vitorio Agnoletto, que faz parte do Comitê Internacional do FSM. Em uma coletiva no final da marcha, pouco antes do início do show do ministro da cultura brasileiro, Gilberto Gil, que encerraria o Fórum, os organizadores assinalaram que o FSM tinha sido um ''êxito'' principalmente porque conseguiu ''maciça presença de indianos dos setores mais explorados''.
O Fórum de Mumbai foi um sucesso porque obteve duas de suas metas, a inclusão de outras regiões do mundo e dos setores populares, segundo vários dos organizadores deste encontro anual, que em 2005 voltará à cidade que o viu nascer, em 2001, Porto Alegre. A participação no Fórum de Mumbai ''superou nossas expectativas'', disse um dos porta-vozes do FSM, P. Kridshna Murphy. ''Não achávamos que tantos indianos e estrangeiros viessem'' até Mumbai. Um dos fundadores do Fórum de Porto Alegre, o brasileiro Chico Whitaker, destacou que neste encontro na Índia o FSM conseguiu o que se tinha proposto: ''globalizar-se''.

mockup