'Outro mundo é possível' é lema de fórum
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sábado, 17 de janeiro de 2004
France Presse 
Mumbai, Índia - O Quarto Fórum Social Mundial (FSM), primeiro a ser realizado na Ásia, começou ontem em Mumbai, na costa oeste da Índia, com a presença de dezenas de milhares de militantes antiglobalização vindos de 130 países, anunciaram os organizadores.
Sob a palavra de ordem ''Outro mundo é possível'', uma multidão colorida invadiu um enorme campo aberto nos arredores de Mumbai, palco da cerimônia de inauguração do fórum, que estreou com um concerto dedicado à paz interpretado por um grupo paquistanês.
As palavras de boas-vindas aos milhares de delegados que vão participar em centenas de seminários e debates que se desenrolarão durante seis dias foram pronunciadas por uma bailarina e ativista social indiana, Malikha Sarabha, muito conhecida em toda a Ásia. ''Achamos que outro mundo é possível, e precisamos dele urgentemente'', afirmou a estrela indiana.
O tom da reunião foi dado pela escritora indiana Arundhati Roy. No discurso de abertura, ela convocou uma mobilização contra a ocupação do Iraque pelas forças americanas. ''Devemos nos considerar em guerra'', disse Arundhati da tribuna. ''Se somos contra o imperialismo, não devemos apoiar a resistência do Iraque; devemos nos tornar a resistência do Iraque'', acrescentou, denunciando ''uma globalização que não deixa espaço para Justiça, igualdade social e paz''.
O brasileiro Chico Whitaker, um dos fundadores deste encontro do movimento antiglobalização, lançou da tribuna um chamado à ''construção de uma nova ordem política e social (...) Somo minha voz aos que declaram que outro mundo é possível''.
Na multidão havia ''intocáveis'' indianos e camponeses mexicanos, sindicalistas europeus, pacifistas japoneses e indígenas guatemaltecos e bolivianos, assim como milhares de delegados de centenas de organizações da Índia.
Os cantos de monges budistas se mesclavam com os tambores de camponeses de uma região da Índia, Tamil Nadu, e com os cantos de mulheres em saris exigindo o fim do tráfico sexual de mulheres e crianças. Este Quarto FSM pode ser maior do que o anterior, que reuniu 100 mil pessoas em Porto Alegre, onde o fórum nasceu há três anos.
Os dalits ''serão uma das forças mais visíveis'' do Fórum de Mumbai, afirma a Campanha Nacional para os Direitos Humanos dos Dalits, que defende os direitos desta comunidade que, segundo as regras do sistema de castas, deve exercer os trabalhos mais degradantes da sociedade.
Na Índia, com uma população estimada em 1 bilhão de habitantes, 138 milhões de indianos pertencem ao estrato dos dalits, considerados párias, embora a Constituição tenha abolido há mais de 50 anos o sistema de castas hindu.
Os dalits são considerados ''impuros'' e não estão autorizados a tocar os mesmos utensílios de comida das castas superiores: os brâmanes, ou sacerdotes, os kshatria, que formam a classe de guerreiros ou administradores, os vaisya, que são artesãos e comerciantes, e inclusive os suda, a casta inferior, composta por camponeses.


