Outra morte é atribuída a suposto Androcur falso
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Agência Folha 
Mais uma morte em decorrência de câncer na próstata está sendo atribuída ao tratamento com o anticancerígeno Androcur falso (lote 351) em Minas Gerais. Felina Alves Martins, nora do aposentado Otávio Alves Martins - morto em maio deste ano em decorrência de câncer na próstata - afirma que o genro se tratou por sete meses com o remédio inócuo.
Ela possui ainda uma embalagem do lote 351 e registrou ontem reclamação no Procon-BH (Procuradoria de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte). Com isso já são seis as suspeitas de mortes por câncer na próstata aceleradas pelo tratamento com o Androcur falso no Estado.
A reportagem não conseguiu localizar Felina Martins ontem, mas em seu depoimento ao Procon, ela afirma que Otávio conseguiu os medicamentos falsos na farmácia do hospital público Felício Rocho. O hospital comprou o remédio falso da Ação Distribuidora de Medicamentos. A Ação foi fechada no último dia 13 - por vender psicotrópicos (tranquilizantes) e entorpecentes) sem autorização do Ministério da Saúde - e é acusada de ser a responsável pela venda do Androcur falso a diversos hospitais públicos e privados do país.
A distribuidora alega ter comprado os remédios falsos de duas outras distribuidoras paulistas. Uma delas, a Minister, faliu cerca de um ano antes da data da nota fiscal de compra apresentada pela Ação. Além do processo administrativo da Vigilância Sanitária do Estado, a Ação está sendo investigada pelas polícias civil e federal de Minas Gerais.
O Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo divulgou ontem o nome das distribuidoras de quem comprou o medicamento Androcur, desde novembro de 97. Ainda não se sabe a origem do lote 351 de Androcur que o hospital adquiriu e distribuiu para pacientes. A Vigilância Sanitária suspeita que as unidades falsas estivessem entre as 40 caixas compradas da Tech Farma, de São Paulo, interditada no sábado passado por falta de alvará de funcionamento. Mas não há provas. O hospital também comprou Androcur das distribuidoras Osp-Serv (800 caixas), Medifar (40) e Mapfarma (24).
A desempregada Zenaide dos Santos, 42 anos, apresentou queixa na polícia de Araçatuba (SP), ontem à tarde, dizendo que ficou grávida mesmo tomando o anticoncepcional Microvlar, da Schering.
Zenaide disse que começou a usar o Microvlar há nove meses. No último dia 17, fez o exame que revelou a gravidez, de dois meses. A embalagem, que foi apreendida para perícia, é do lote 230, que não faz parte da remessa do medicamento desviada da Schering. Todos os comprimidos já haviam sido consumidos.


