Outra área da Araupel é invadida
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Um grupo de 120 trabalhadores rurais invadiu, na madrugada de ontem, uma área de cerca de 480 hectares da Fazenda Araupel, em Espigão Alto do Iguaçu (150 km a leste de Cascavel). O grupo não faz parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que desde julho também ocupa outra área da fazenda, de 25 mil hectares, distante cerca de dois quilômetros da área invadida ontem.
O governo federal está negociando a compra da área que o MST ocupa para destiná-la a um projeto de reforma agrária, com o assentamento de 1,5 mil famílias das 2,1 mil que estão no local.
Ontem, o clima na área ocupada pelo MST, segundo a coordenação regional, era tenso, por conta de um boato de que seria invadida pelo outro grupo que entrou na fazenda. ''Não queremos conflito com outros trabalhadores rurais'', disse o coordenador regional do MST, Claudemir Torrente.
A ocupação na madrugada de ontem seria uma maneira de apoiar a invasão há pouco mais de 10 dias da família de Darci Gruba. No ano passado, a Araupel ganhou a reintegração da área que foi ocupada pela família de Gruba por quase 10 anos. ''O local era chamado de 'invasão do Gruba'. Quando tivemos a reintegração de posse fizemos um acordo para que ele saísse comprando a plantação de milho. Mas, há a alguns dias ele desobedeceu a determinação judical'', explicou o diretor administrativo-financeiro da Araupel, Luiz Roberto Ceron.
Ontem, segundo o juiz de Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel), Leonardo Ribas Tavares, venceu o prazo de 10 dias para que Gruba deixasse a área. ''Caso isso não acontecesse já está determinada a expedição do mandado de reintegração, com reforço policial autorizado'', explicou. No entanto, com a entrada de mais pessoas na área o juiz disse que terá que analisar qual será o procedimento e se haverá concessão de mais prazo.
Segundo a Polícia Militar de Quedas do Iguaçu a situação é tranquila na área invadida. A PM informou ainda que boa parte das famílias que invadiram a área são do mesmo grupo que foi enganado pelo Sindicato de Agricultores da região há cerca de três meses. Cada família pagou R$ 200,00 para que o sindicato intercedesse junto ao Incra na disponibilização de terras para assentamento. O fato acarretou a prisão de cinco pessoas. Ontem a reportagem da Folha tentou contato com Gruba, mas não conseguiu localizá-lo.


