Rio, 18 (AE) - Três outdoors pagos por funcionários da Rede Manchete foram colocados hoje em bairros do Rio. Com o texto "Sabe para onde vai o dinheiro que você gasta anunciando na TV Manchete? Nem a gente", a peça publicitária pretende alertar o mercado publicitário, segundo informou o presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio, Márcio Leal. "Trabalhadores da Manchete sem salário há cinco meses" é a assinatura dos outdoors.
"Agora, não se sabe mais nem quem é o dono da Manchete", afirmou Leal, referindo-se à briga judicial entre o Grupo Bloch e a produtora RGC, ligada à Fundação Renascer, pelo controle administrativo da empresa. O grupo e a produtora haviam firmado um acordo pelo qual, durante 15 anos, passaria a ser da RGC a responsabilidade pela produção e comercialização da programação a ser exibida pela Manchete. Na sexta-feira passada o presidente das Empresas Bloch, Pedro Jacques Kappeller, anunciou, no "Jornal da Manchete", que o acordo estava desfeito por falta de pagamento. A direção da produtora afirma ter pago a primeira parcela. Liminar - Ontem (17) à noite a RGC ganhou na Justiça, em São Paulo, o direito de assumir o controle da programação da Manchete. "Eles não pagaram e nós estamos tomando providências para cassar essa liminar", afirmou Kappeller, hoje à tarde. "Vou provar na Justiça que o pagamento não foi feito".
Essa briga judicial começa três meses depois de o Grupo Bloch ter ganho uma causa que se arrastou durante quatro anos. Foi contra Hamilton Lucas de Oliveira, dono da IBF que negociara a compra da emissora, mas viu o acordo ser desfeito pela família Bloch sob alegação de falta de pagamento.
"Parece que se trata de um procedimento antigo do grupo", ironizou Marcio Leal. "Minha avaliação é de que há um outro grupo interessado em negociar com a Manchete e os donos da TV não querem mais a Renascer".
De acordo com Leal, a própria superintendente da emissora, Jaqueline Kappeller, informou sobre a existência de outros grupos interessados. Foi na sexta-feira, horas antes do anúncio oficial do fim do negócio com a RGC. Leal contou que ela estava varrendo a calçada em frente à sede da emissora, no Rio, irritada com um "trabalho" feito por funcionários: uma queima simbólica de seu pai, Jacques, seguido por uma chuva de pétalas de rosas vermelhas e brancas e borrifadas de cachaça.
Para instalar os outdoors, os funcionários fizeram uma coleta. Arrecadaram R$ 500,00, o que garantirá o espaço por um mês. Leal informou que a iniciativa foi tomada após a constatação de que novos anúncios estavam sendo veiculados, semana passada, pela emissora. "Se entrou dinheiro, deveriam ter acertado os salários atrasados", disse.
No Rio, dos 1.600 funcionários, 600 receberam o aviso prévio em setembro, mas a demissão não foi homologada. Dentre os restantes, 137 foram selecionados pela RGC para trabalhar para a nova gestão. Quem não faz parte desse grupo está sem receber desde setembro. Os 137 estão sem receber desde outubro. Em São Paulo, dos 360 funcionários, 200 foram convocados pela RGC, mas também não recebem desde outubro.

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