São Paulo, 30 (AE) - O ouro fechou setembro supreendentemente na condição de investimento mais rentável com uma valorização de 19,37% no mês. Em segundo lugar ficou a Bolsa de São Paulo, com rentabilidade de 5,13%, seguida pelos CDBs emitidos em nome de grande investidores e pelos fundos de investimento financeiro DI e de renda fixa, todos com rentabilidade líquida de 1,19%, abaixo da inflação de 1,45%.
O dólar, que ocupou o topo do ranking em agosto, ficou entre os últimos. No câmbio comercial subiu 0,99%; no paralelo, caiu 0,15%. A variação do dólar comercial é referência para o rendimento dos fundos cambiais.
A liderança do ouro foi considerada circunstancial e, como tal, a sustentação de alta não está clara entre os analistas. A valorização do grama de metal doméstico foi puxada pela arrancada das cotações internacionais, pela decisão dos principais bancos centrais europeus de limitar a venda de ouro nos próximos cinco anos.
A decisão do Banco da Inglaterra, meses atrás, de ofertar ao mercado boa parte de suas reservas em ouro fez despencar as cotações do metal no exterior e internamente. Embora a demanda por ouro na BM&F permaneça baixa, o ouro teve valorização porque o preço doméstico reflete a cotação internacional convertida pelo valor do dólar.
Ações - O mês foi favorável ao investimento em ações, pela relativa melhora nas expectativas político-econômicas, depois que o governo arredondou o orçamento do próximo ano e lançou o Plano Plurianual de Ação (PPA). A rápida ação do governo na substituição de Clovis Carvalho por Alcides Tápias, no Ministério do Desenvolvimento, também somou pontos favoráveis à melhora de humor dos investidores.
A reação positiva, traduzida em ligeira retomada de compra de ações, ficou limitada aos investidores domésticos, animados também pela convicção de que o Banco Central retomaria a política de corte dos juros básicos. A expectativa foi confirmada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa primária de juros de 19,50% ao ano para 19% na reunião do dia 22.
A iniciativa dos investidores domésticos não atraiu os estrangeiros, ainda arredios, à espera do reinício da votação das principais reformas econômicas, principalmente a tributária. Com a ausência de investidores externos em ações, o volume financeiro médio da Bolsa paulista ficou ligeiramente acima de R$ 500 milhões, em torno de R$ 515 milhões, ao dia, em setembro.
A forte instabilidade da Bolsa de Nova York também contribuiu para deprimir o mercado interno de ações. Ao longo da primeira quinzena de setembro, o mercado nova-iorquino bateu sucessivos recordes de alta, comandada principalmente pelas ações de alta tecnologia, que formam o índice Nasdaq. Nas duas últimas semanas, contudo, a Bolsa de Nova York tem passado por acentuadas baixas.
As cotações do dólar, que haviam disparado em agosto, perderam o fôlego depois que o Banco Central assumiu o risco cambial do mercado ao passar a oferecer em grandes lotes as Notas do Banco Central da série Especial (NBCEs), títulos que rendem a variação do dólar mais uma taxa de juros.
Perspectiva - A julgar pela reação do mercado ontem, para outubro, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a contribuição dos funcionários públicos inativos e a alíquota adicional para os ativos, tende a trazer instabilidades. Isso significa que as bolsas de valores poderão passar por período de realização de lucros, com a consequente queda nas cotações dos papéis, e o dólar poderá voltar a sofrer pressões.
Hoje, após a divulgação da votação pelo STF, a Bolsa paulista, que vinha em alta, entrou em queda, e fechou negativa em 2,86%. Já o dólar, que estava em baixa, voltou a subir e avançou 0,78%. A decisão do STF poderá influenciar também no ritmo de queda das taxas de juros, o qual poderá ser desacelerado.

mockup