Londres, 07 (AE-DOW JONES) - A cotação do ouro voltou a subir hoje (07) até atingir o nível mais alto em mais de três meses, ante as expectativas de uma redução nas vendas futuras por parte dos produtores e de um crescimento da demanda por ativos reais, consequência das pressões inflacionárias provocadas pela retomada sustentada do crescimento mundial. No mercado londrino, o metal chegou a ser negociado a US$ 319 a onça (31,10347 gramas), antes de recuar para US$ 312,50 no encerramento da jornada, ante os US$ 295 da sexta-feira. Também a volatilidade das opções de ouro, um indicador dos movimentos futuros do metal
mais que dobrou hoje, para cerca de 30%, para o metal entregue em um mês.
O volume de negócios realizado também surpreendeu os operadores, que atribuíram a nova alta a um movimento de migração de capitais que estavam investidos em ações e outras aplicações de maior volatilidade para ativos mais seguros. Também contribuiu para a elevação dos preços o fato de a mineradora Canadas Placer Dome, quinta maior do mundo, ter anunciado a suspensão de seu programa de hedging, uma prática comumente adotada pela maioria dos produtores para vender a prdoução futura a preços mais altos.
"Desta vez, os investidores estão preocupados com o comportamento futuro do mercado de ações, o de títulos públicos e com as taxas de juros em geral", explicou um dos diretores de operações da Scotia Mocatta, em Londres. Ele observou que a atual alta nas cotações nada tem a ver com a verificada em outubro, quando os preços dispararam proque os produotres atuaram na ponta de compra para cobrir suas posições de hedge.
O temor de que as pressões inflacionárias aumentem nos Estados Unidos e a instabilidade potencial de algumas instituições financeiras com forte exposição no mercado de bônus só aumentou as incertezas do mercado. Após o anúncio de que as mineradoras vão reduzir as vendas futuras, a perspectiva de evolução do preço do metal melhoraram.
Como explica Frederic Panizzutti, vice-presidente de Estratégia e Pesquisa da MKS Finance, em Genebra, "depois do êxito da canadense Placer, primeira a anunciar a limitação das vendas futuras, é provável que outros importantes produtores de ouro também decidam congelar todas suas operações de hedge no mercado futuro do metal". Isso, segundo ele, "teria um efeito positivo no mercado, pois refletiria a retomada da confinaça da indústria no médio e longo prazo".
Em setembro, a cotação do ouro atingiu o nível mais baixo em 20 anos: US$ 251,70, para recuperar-se até chegar a US$ 338 em outubro, depois que 15 bancos centrais europeus prometeram limitar as vendas, os empréstimos e as operações de derivativos com a commodity.