Paris, 15 (AE) - A partir de agora é proibido dar golpe de Estado na áfrica. Todo golpista será automaticamente excluído da OUA, a Organização de Unidade Africana. Essa decisão foi adotada na quarta-feira, no encerramento da reunião de Argel, da qual participaram trinta e oito chefes de Estado africanos, sendo que vinte e um dos presentes assumiram o poder após um "putsch" ou uma guerra de libertação. Isso não impediu o porta voz da OUA , Ibrahim Dagash, de afirmar de forma solene: "A partir de hoje , nenhum golpe de Estado será tolerado. Se isso ocorrer seu autor não será admitido na próxima reunião de cúpula."
Entre os presentes, os presidentes de três países que passaram por um golpe de Estado em 1999: Guiné-Bissau, Comores e Níger. O representante do Níger foi o seu primeiro-ministro, membro da junta militar, pois o presidente foi assassinado recentemente. A maior parte desses chefes de Estado golpistas, depois de assumir o poder tem a tendência de legitimá-lo através de eleições muito pouco transparentes.
Esse é o caso, por exemplo, do general Eyadema do Togo, país que deverá sediar a próxima reunião da OUA. O presidente do Togo assumiu o poder através um golpe de Estado há 32 anos , mas já promoveu duas eleições para legitimar sua presença durante todo esse tempo, apesar desses pleitos terem sido fortemente contestados pelas organizações internacionais e missões de observadores estrangeiros.
O modelo tem sido seguido à risca. Todo governante africano que chega ao poder após um golpe ou uma luta armada se preocupa em realizar eleições, mas tomam as providências necessárias para não correr nenhum risco de perdê-las. Na verdade, essa decisão da OUA revela a preocupação dos chefes de Estado com a evolução do mundo, onde as necessidades democráticas estão inseridas nos tratados e até na concessão de ajuda econômica ou de créditos. Esse é o caso da União Européia, cuja ajuda financeira tem sido cada vez mais condicionada à existência de abertura política, democracia e respeito aos direitos do homem. Os massacres de Ruanda, a guerra da RDC, República Democrática do Congo, e outras disputas africanas têm servido de advertência a seus governantes. O presidente da República do Congo, por exemplo, decretou anistia aos militares rebeldes de seu país.
A reunião da OUA foi o primeiro sinal da pretendida abertura ao exterior manifestada pelo novo presidente da Argélia
Abdelaziz Bouteflika, eleito como candidato único recentemente na contestada eleição presidencial desse país, cujos adversários renunciaram 24 horas antes do pleito. Mesmo antes da reunião regular no Togo de Eyadaema, essa decisão da OUA poderá ser testada na Líbia do coronel Kadhafi, outro que ascendeu ao poder através um golpe de Estado. A Organização de Unidade Africana solicitou ao presidente líbio de reunir extraordinariamente os chefes de Estado no mês de setembro. Essa será uma boa ocasião para um teste, pois 45 dias constitui prazo suficiente para que ocorram grandes mudanças na áfrica.

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