Otoniel recebe alta e já pode ser convocado pela justiça
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domingo, 14 de março de 1999
Por João Unes 
Goiânia, 15 (AE) - O suplente de senador Otoniel Machado, irmão do senador Iris Rezende (PMDB-GO), deixou hoje de manhã o Instituto de Neurologia de Goiânia (ING). Ele ficou internado por dez dias depois de receber voz de prisão por envolvimento no escândalo Caixego - desvio de R$ 5 milhões de um total de R$ 7 45 milhões que deveriam ser utilizados no pagamento de dívidas trabalhistas pertencentes a 124 ex-funcionários da instituição.
Ao deixar o hospital, Otoniel estava com fisionomia abatida e barba por fazer. Ele seguiu direto com a família para o Instituto de Medicina Nuclear (Imen), onde fez uma cintilografia cerebral. O exame durou 40 minutos e deve indicar possíveis lesões no cerébro. O resultado só deve sair esta semana. "Ele está pronto para o depoimento", atestou o médico Luiz Fernando Martins, responsável pelo tratamento de Otoniel. Segundo ele, o quadro de hipertensão do paciente foi controlado e Otoniel já pode ser convocado pela Justiça Federal para depor sobre o escândalo.
Em sua primeira entrevista sobre o caso, concedida a "O Globo" e veiculada no fim de semana, o senador Iris Rezende disse que os R$ 5 milhões ficaram com o advogado Valdemar Zaidem - um dos oito indiciados no inquérito encaminhado pela Polícia Federal à Justiça Federal. Zaidem nega que tenha ficado com o dinheiro e sustenta que a verba foi sido usada na campanha eleitoral do PMDB, na qual Iris era candidato a governador.
Segundo Íris, no dia do saque dos R$ 5 milhões, Zaidem teria parado seu Omega na porta do BEG, bem perto do Omega do então diretor do BEG Edivaldo Silva Andrade. Ele teria colocado no porta-malas a caixa com os R$ 5 milhões. Zaidem garante que o dinheiro foi direto para o comitê do PMDB no carro de Edivaldo Andrade. Iris deve ocupar a tribuna do Senado na quarta-feira para fazer seu primeiro pronunciamento público sobre o assunto.
Hoje foi o último dia para que sete dos oito acusados no escândalo Caixego apresentassem suas defesas prévias à Justiça Federal. A estratégia comum na defesa é a de desqualificar a principal prova contra Otoniel e Edivaldo: o grâmpo telefônico nas linhas de Otoniel. Os advogados também insistem que o assunto não pode ser julgado na alçada federal, uma vez que a Caixego já estaria desligada do sistema financeiro nacional à época do escândalo.


