Otites são mais comuns na infância
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domingo, 03 de julho de 2005
Isabela Mena<br>Agência Estado 
Delicadas, elas possuem os três menores ossos do corpo humano e funcionam com a perfeição de um relógio suíço. Mas não estão imunes a doenças. As orelhas, especialmente as das crianças, sinalizam quando há algo errado: reclamam de ''dor de ouvido''. A otalgia - nome técnico da dor na região - pode ser causada por diversos fatores, entre eles amigdalites, problemas da articulação têmporo-mandibular (ATM), nevralgias e tumores, mas os mais frequentes são mesmo as otites.
As otites são classificadas de acordo com o local da orelha que está inflamado (orelha, e não ouvido, é o termo técnico correto para o órgão). Nas orelhas externa e média as otites são mais incidentes. ''A otite na orelha externa é mais comum no verão, por causa de contaminações com água do mar, piscina e maior manipulação do local com hastes flexíveis de algodão'', explica o otorrinolaringologista Paulo Roberto Lazarini, professor assistente da Santa Casa de São Paulo.
A orelha média é a que mais sofre com as otites, que podem ser do tipo aguda ou secretora. ''A otite média aguda (OMA) é uma inflamação que se localiza atrás da membrana do tímpano e normalmente decorre de uma infecção viral ou bacteriana'', diz a otorrinolaringologista Renata Ribeiro de Mendonça Pilan, da Faculdade de Medicina do ABC. Os principais sintomas são dor, febre, falta de apetite e, ocasionalmente, saída de secreção purulenta na região.
Já na otite média secretora (OMS) há acúmulo de secreção espessa na orelha média e prejuízo na audição. ''Muitas vezes a OMS, que é indolor, é consequência do aumento da adenóide (a chamada carne esponjosa), que obstrui a tuba auditiva (canal entre o nariz e a orelha), impedindo a adequada entrada de ar e impossibilitando a drenagem da secreção'', diz Pilan.
O diagnóstico é feito por meio do exame clínico, no qual são analisados os sintomas e a história do paciente. ''Conhecer as condições ambientais da criança, como por exemplo se os pais fumam dentro de casa (caso em que ocorrem mais otites) ou se a mãe deixa o bebê deitado durante a amamentação (o que facilita o aparecimento do problema) e hábitos como prática de natação (o cloro pode irritar as vias respiratórias) é fundamental para o diagnóstico'', explica Lazarini.
Apesar de comuns na infância, as otites têm de ser esporádicas. ''Espera-se que não ocorram, ou ocorram uma ou outra vez na vida da criança. Quando há repetição, é preciso avaliação do especialista'', lembra Lazarini.
De acordo com a médica Renata Pilan, a otite média aguda é de fácil diagnóstico, já que ao se queixar da dor intensa a criança facilita a percepção dos pais. Silenciosa, a otite secretora pede mais atenção: roncos noturnos, dispersão, distúrbios da fala e alto volume da TV podem estar entre os sintomas.
Mais frequente no inverno, a otite média pode ter origem viral - nos casos de gripe - ou bacteriana. ''A viral é mais comum e pode ser tratada com antiinflamatórios. A bacteriana é mais grave e precisa antibióticos e cuidados maiores'', conta o médico Paulo Roberto Lazarini.
Na otite média aguda, o déficit auditivo é temporário e reversível. Na otite secretora há alteração da membrana timpânica e acúmulo de líquido dentro da orelha, que podem comprometer a audição. O ideal é que se opte inicialmente pelo tratamento com medicamentos.


