Otimismo na luta contra o câncer
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terça-feira, 08 de junho de 2010
France Presse 
Chicago - O otimismo prevaleceu na 46 conferência sobre o câncer da American Society of Clinical Oncology (Asco), realizada em Chicago, onde foram anunciados progressos, apesar da doença avançar a passos largos e ter se convertido na segunda causa de morte no mundo. ''Nossa compreensão crescente da complexidade do câncer se traduz pelo desenvolvimento de terapias mais eficazes, mais dirigidas contra uma variedade de tumores'', explicou Douglas Blayney, professor de medicina interna na Universidade de Michigan (norte dos Estados Unidos) e presidente da ASCO.
Os resultados mais alentadores revelados durante a conferência do fim de semana confirmam o crescente papel das terapias dirigidas a funções ''vitais'' de tumores ou que dopam o sistema imunológico para destruir as células cancerígenas, em comparação com a quimioterapia padrão.
Estes avanços mostraram aumento da sobrevivência sobretudo em doentes que sofrem de tipos de câncer avançados ou com mestástase, como o melanoma, contra os quais existem poucos ou nenhum tratamento.
Um anticorpo experimental monoclonal (Ipilimumab), que ativa as células T (timócitos) do sistema imunitário para destruir o câncer, deu pela primeira vez ''resultados muito encorajadores'' contra o melanoma avançado, um câncer de pele cuja incidência disparou há 30 anos.
Uma terapia experimental (crizonitinib), que neutraliza a enzima cinase de linfoma anaplásico (ALK), essencial para o crescimento das células cancerígenas, também revelou-se muito promissora contra a forma mais frequente de câncer de pulmão avançado em pacientes com um perfil genético particular. O de pulmão é o câncer mais frequente e mortal do mundo.
Outro ensaio clínico demonstrou que o tratamento específico Avastin, que bloqueia o crescimento dos vasos sanguíneos que levam os nutrientes e oxigênio necessários para o tumor, combinado com uma quimioterapia, permitiu prolongar o período que transcorre sem que um câncer de ovário progrida.
Um estudo demonstrou também que a radioterapia combinada com um tratamento hormonal reduz em 43% o risco de mortalidade dos homens afetados por um câncer localizado e avançado da próstata. ''O tema desta conferência é o avanço da qualidade dos tratamentos através da inovação'', comentou Lynn Schuchter, professora de medicina na Universidade da Pensilvânia (leste).
''Realmente queremos melhorar a qualidade de vida dos doentes com terapias que produzem menos efeitos colaterais, cirurgias e radioterapias mais específicas'', prossegue Schuchter.


