Otimismo faz dólar fechar abaixo de R$ 1,80
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Denise Ramiro e Lucinda Pinto 
São Paulo, 25 (AE) - A percepção de que o País reconquista rapidamente a confiança de investidores estrangeiros e a forte presença de exportadores no mercado levaram o dólar comercial a despencar. A moeda norteamericana caiu 2,72% hoje, encerrando o dia cotado a R$ 1,79. É o menor preço registrado desde a terceira semana de janeiro.
Os técnicos vêem com otimismo as muitas operações de emissão e renovação de bônus que vêm sendo desenhadas. A de maior volume é a da Light, de US$ 875 milhões, que será renovada na próxima semana, por meio de um pool de bancos estrangeiros.
A atitude arrojada do Banco Central na quarta-feira, ao baixar a meta da taxa Selic de 45% para 42% ao ano, reforçou a boa percepção no mercado financeiro. O bom humor foi respaldado ainda por recentes iniciativas do governo, como a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2,0% para 0,5% para o ingresso do capital estrangeiro no País.
A este cenário acumularam-se a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a renegociação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), além da informação, dada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, de que a segunda parcela do pacote de ajuda ao Brasil, de US$ 8,6 bilhões
chega na próxima semana.
Esses indicadores favoráveis mudaram a posição do investidor. Quem tinha dólares estocados decidiu vender. Já o destaque de compra, ficou para o Lloyds Bank. Comenta-se que o banco remeterá os recursos para honrar o eurobônus vincendo da Sabesp.
Analistas acreditam que o BC também interveio no mercado hoje, comprando um volume significativo de moeda estrangeira, justamente para evitar uma queda maior do dólar, pois volatilidade excessiva inspira desconfiança.
As notícias positivas atraíram outras. A Merrill Lynch elevou as ações brasileiras em sua carteira de underweight (abaixo da média) para overweight, ou seja, acima da média do mercado. Profissionais de mercado acreditam que o fortalecimento do real pode desengavetar projetos de captação externa por parte de instituições financeiras, que estão fazendo testes com valores pequenos para, então, ir a mercado.
Segundo operadores, há recursos chegando ao País via anexos IV (bolsa) e VI (juros), além de CC5 (conta de não residente).
As projeções de câmbio futuro seguiram a trajetória descendente do dólar à vista. Na Bolsa Mercantil & de Futuros, o preço para abril recuou 2,66%, cotado a R$ 1,7910, e para maio perdeu 2,55%, encerrando o dia a R$ 1,7970.
Mas a festa não se ateve somente ao mercado de câmbio. Os juros futuros registraram queda forte na BM&F, confirmando a total surpresa dos investidores quanto à queda da taxa Selic.
Também as bolsas comemoraram a queda dos juros com estardalhaço. As ordens de compra avolumaram-se e o destaque entre as principais ações foi Petrobrás. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 4,87% e a do Rio, em alta de 4,15%.


