Otimismo com economia impede queda de taxa de desemprego
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por Lu Aiko Otta e Simone Cavalcanti 
Brasília, 21 (AE) - O otimismo com relação ao desempenho da economia brasileira está impedindo a queda das taxas de desemprego. Justamente porque as perspectivas de conseguir uma colocação são maiores, mais pessoas que não tinham emprego saem à procura de um. Essa é a constatação feita pelos técnicos da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda. No entanto, a continuidade do crescimento da economia permitirá que essas pessoas encontrem um posto de trabalho. Dessa forma, a taxa de desemprego começará a cair entre o segundo semestre deste ano e ao longo de 2001.
A expectativa do secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, é de que a taxa de desemprego recue dos atuais 8 17% para algo como 5,5% no final do ano que vem. Com isso, o desemprego voltará aos mesmos níveis de 97 - antes das crises asiática, russa e brasileira que sacudiram a economia mundial nos últimos três anos.
Nos últimos doze meses, a População Economicamente Ativa (PEA), formada pelas pessoas com idade para integrar o mercado de trabalho, tem crescido a uma taxa de 4,1%. Amadeo, porém, acredita que essa tendência não se manterá por muito tempo, pois ela reflete a existência de um estoque de desempregados que não vinham buscando trabalho devido à baixa possibilidade de colocação, aliada ao alto custo de procurar um emprego. "No mercado de trabalho, as pessoas têm custo para procurar emprego, e esse custo é tão maior quanto maior é o risco não encontrá-lo", explicou o secretário.
"Quando o mercado está ruim, esse custo é muito alto." Segundo o secretário, quando o estoque estiver esgotado, o porcentual de crescimento da PEA ficará entre 2% e 2,5%. "É difícil saber se essa curva vai ser revertida logo, mas o crescimento da PEA não é sustentável por muito tempo", disse. Essa foi a taxa de nascimentos registrada 20 anos atrás. Por isso, é quanto deveria estar crescendo a busca por emprego se não houvesse o estoque de desempregados e fosse considerado apenas o crescimento vegetativo da população.
Na avaliação de Amadeo, é para essa taxa que deve convergir o ritmo de crescimento da PEA, à medida em que o estoque for desaparecendo em razão do surgimento de novos postos de trabalho. Por isso, acredita, a tendência é de recuo da taxa de desemprego.
O levantamento feito pela SPE mostra que, desde o início da década, a oferta de novas vagas de emprego cresce na mesma proporção que a PEA. Houve, porém, dois momentos em que houve discrepância entre as duas taxas, com o número de trabalhadores à procura de colocação ficando muito maior do que a oferta de empregos. O primeiro deles foi entre outubro de 95 de julho de 96, quando o sucesso do Plano Real incentivou as pessoas a procurar trabalho.
O segundo momento ocorreu logo após a crise da ásia, em setembro de 97, e se estendeu até janeiro de 99. Foi quando outros membros da família, que não o chefe, saíram à procura de emprego na tentativa de recompor a renda familiar. "Quem pára de procurar emprego em 97 e recomeça em 99 não é o chefe de família, mas os filhos e os cônjuges, para quem o custo de não procurar emprego é sempre menor", comentou o secretário. São essas pessoas que, hoje, compõem o estoque de desempregados que está impedindo a taxa de desemprego de declinar.
Embora a taxa de desemprego continue alta, a oferta de novos postos de trabalho tem aumentado. Em fevereiro, por exemplo, surgiram 75.000 novas vagas. Em fevereiro de 99, o número de vagas abertas havia sido de 40.100. "O Brasil, nesse aspecto é um pouco parecido com os Estados Unidos: se você der um sopro, gera emprego; os dados mostram que a economia mal começou a se aquecer, e já está criando emprego", comentou Amadeo.
"Mas o problema é a qualidade do emprego que está sendo criado, que não acho que tenha a ver com crescimento econômico - é mais um problema institucional de relações de trabalho e legislação trabalhista." Essa observação do secretário se deve ao fato de a maioria dos postos de trabalho surgidos neste ano ser informal , ou seja, sem carteira assinada.


