Bruxelas, 16 (AE-ANSA) - A Otan está decidida a resolver o mais rápido possível o problema da desmilitarização do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), que nesta quarta-feira (16) ameaçou a Rússia com um "novo Afeganistão" e continuou ganhando terreno na província iugoslava.
O avanço da guerrilha separatista kosovar, na presença de tropas da KFOR, coincide com a retirada dos sérvios, que aparentemente está sendo realizada nos prazos estabelecidos pela aliança atlântica.
Em Pec, zona controlada pelo contingente italiano, o comandante de campo do ELK, Ethem Ceku, autoproclamou-se prefeito e em seu quartel-general - como já havia ocorrido anteriormente em Malishevo e Prizren - tremulava a bandeira vermelha com a águia negra albanesa.
Enquanto a Otan reiterava sua preocupação com a "bomba" que representa o ELK - e o perigo de que exploda a qualquer momento -, a guerrilha albano-kosovar ameaçou hoje Moscou de criar em Kosovo "um novo Afeganistão", caso as tropas russas controlarem parte da província.
Para o ELK, os russos são "uma força inimiga" e a paz não será possível até que eles abandonem a província. Moscou, por seu lado, reagiu às ameaças do ELK pedindo o desarmamento dos separatistas, como previsto na resolução da ONU sobre Kosovo. "Caso não seja produzido o desarme, todo o processo de paz corre o risco de fracassar", afirmou o chanceler russo, Igor Ivanov.
Enquanto isso, o comandante da força internacional de paz em Kosovo (KFOR), Michael Jackson, mostrou-se tranquilo ao assegurar que obrigará o ELK a respeitar a resolução. Para o general britânico, "será possível levar a cabo um acordo sobre a desmilitarização dentro de poucos dias".
Fontes de Londres, citadas pela edição "on line" da BBC, anunciaram que a Otan e o ELK já chegaram a um acordo sobre a questão na capital albanesa de Tirana e que ele se basearia nos pontos contidos no acordo de paz discutido em fevereiro na localidade parisiense de Rambouillet.
Tais pontos fixavam o fechamento de todos os postos de bloqueio e combate, assim como a criação de depósitos seguros onde reunir as armas sob controle da KFOR, assim como a proibição de usar uniformes e insígnias militares.
Os 19 países da Otan estão conscientes da premência do tempo e que é necessário que se conclua rapidamente um plano comum de ação para fazer com que o ELK cumpra os compromissos assumidos.
Este último ponto será uma das prioridades da reunião que promoverão na próxima sexta-feira em Bruxelas os ministros do Exterior e da Defesa da Otan.
"É necessário dar uma forte mensagem ao ELK nas próximas 72 ou 96 horas", disse uma fonte da Otan ao detalhar que tudo terá de ser feito em etapas, segundo um calendário e prazos precisos estabelecidos pela aliança.
O primeiro objetivo será induzir os guerrilheiros a entregar as armas pesadas, que serão armazenadas em zonas determinadas sob o controle da KFOR. Posteriormente e de forma gradual, será pedido a eles que entreguem as armas leves.
Entretanto, a Otan, como afirmou hoje o porta-voz Jamie Shea, está consciente de que "um verdadeiro processo de desmilitarização não poderá ter início antes da conclusão do desembarque da KFOR".

mockup