Paris, 10 (AE) - As forças militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Bósnia estão decididas a promover uma grande ofensiva contra os criminosos de guerra que encontram refúgio na Iugoslávia, como atesta a recente operação de um comando de elite do Exército francês que permitiu a detenção e transferência para Haia, onde será julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), de Momcilo Krajisnik, braço direito do líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic.
Esse dirigente, considerado o cérebro do processo de limpeza étnica praticado na Bósnia, vem sendo protegido por elementos da própria segurança do presidente Slobodan Milosevic, homens de sua mais estrita confiança e com instruções de executá-lo, caso haja uma tentativa das forças da Otan de sequestrá-lo e transferi-lo para Haia, onde deverá ser igualmente julgado pelo TPI.
A decisão de liquidá-lo tem o objetivo de evitar, o que comprometeria ainda mais a posição do presidente Milosevic, ou seja, seria uma queima de arquivo. Pressionados pelo TPI e por sua procuradora-geral, Carla del Ponte, os governos ocidentais decidiram abandonar sua inércia e agir contra os que praticaram atrocidades durante a guerra da Bósnia.
No caso da detenção de Krajisnik, na semana passada, o sinal verde foi dado pela mais alta hierarquia francesa, o próprio presidente Jacques Chirac, após ter sido informado da preparação da operação pelo ministro da Defesa, Alain Richard. Esse foi o 19º criminoso de guerra iugoslavo detido pela SFOR, a força de estabilização da Otan, mas outros 28 continuam escondidos e fortemente protegidos pela segurança militar iugoslava.
Os dois principais acusados já indiciados pelo TPI, além do presidente Milosevic, são Radovan Karadzic e o general Ratko Madlic, esse último o braço militar da limpeza étnica e que também continua em liberdade. O general Ratko Madlic tem circulado em Belgrado, mas sob escolta militar iugoslava. Recentemente ele assistiu, fortemente protegido, à partida entre a seleção da Iugoslávia e a da China, no estádio de Belgrado.
Já a "proteção" dada a Karadzic por Milosevic explica o fato da Otan ter recebido informações de seus "indicadores" sobre seus passos em Pale e Belgrado e não ter agido: a morte de Karadzic durante sua prisão seria interpretada como uma queima de arquivo inoportuna, perdendo-se a possibilidade de se interrogar um dos principais protagonistas dos crimes cometidos.
O dirigente sérvio é interessante vivo e não morto para o TPI. Daí o cuidado das autoridades militares de esperar uma ocasião ideal para neutralizá-lo, evitando sua execução por seus antigos amigos. A morte recente de Arkan, fuzilado por um comando suspeito no hall do Hotel Hilton de Belgrado constitui um exemplo e uma advertência, prejudicando o trabalho de apuração do TPI. Karadzic, segundo alguns analistas internacionais, está mais ameaçado em liberdade e por seus amigos das forças especiais iugoslavas do que estaria no banco dos réus do TPI.

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