Colônia, Alemanha, 04 (AE-AP) - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderá suspender os bombardeios aéreos da Iugoslávia no domingo se militares da aliança e iugoslavos - que se reúnem amanhã (05) num ponto da fronteira macedônia - chegarem a um rápido entendimento para retirada das tropas sérvias de Kosovo, informaram hoje altos funcionários da União Européia (UE). O general americano Wesley Clark, comandante da Otan, disse que tem condições de enviar uma tropa para Kosovo em 24 horas.
Clark adiantou que a missão militar encarregada de estabelecer contatos com o Exército iugoslavo é chefiada pelo general britânico Michel Jackson, comandante da força de intervenção rápida, estacionada na Macedônia.
O porta-voz da Otan, James Shea, destacou que o general Jackson - considerado um militar de linha dura - apresentará aos colegas iugoslavos um plano com rotas para retirada das forças sérvias e equipamentos militares, que inclui um complexo sistema de verificação (considerado fundamental pela aliança).
A medida integra o plano de paz apresentado a Belgrado pelo Grupo dos Oito (sete países mais ricos e a Rússia) e acatado pelo presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic.
O chanceler alemão, Gehard Schroeder, o primeiro-ministro-britânico, Tony Blair, e o presidente francês, Jacques Chirac, acolheram com grande satisfação o resultado da ofensiva diplomática liderada pelo negociador russo Viktor Chernomyrdin e pelo presidente finlandês, Martti Ahtisaari. "Estamos otimistas, mas há ainda um longo caminho a percorrer"
disse Schroeder, que exerce a presidencia rotativa da UE e patrocina, em Colônia, reunião de cúpula da comunidade.
Paralelamente a esse encontro, diretores do G-8 redigiram hoje o texto da Resolução, contendo o plano de paz, que será submetido ao Conselho de Segurança da ONU, provavelmente na segunda-feira.
Schroeder telefonou pela manhã para os presidentes Boris Yeltsin (da Rússia) e Jiang Zemin (da China) e disse ter obtido deles a promessa de que apoiarão a resolução. Tanto Moscou quanto Pequim haviam condicionado seu voto ao fim dos ataques aéreos da Otan. Schroeder não quis dar detalhes de seu contato com os dois líderes.
Em Washington, o presidente americano, Bill Clinton, manifestou-se "ansioso" por ordenar o fim da Operação Força Aliada.
Mas o porta-voz militar da Otan, general alemão Walter Jertz, ressaltou que as forças iugoslavas em Kosovo não deram nenhum sinal de retirada. "A luta continua na região." Segundo o líder rebelde albanês étnico Hashim Thaqi, os comandantes sérvios na província iniciaram uma nova ofensiva militar contra o Exército de Libertação de Kosovo (ELK). Thaqi acrescentou que os rebeldes se comprometeram com a Otan a não "atrapalhar" a retirada sérvia da região - ponto de partida para o retorno de milhares de refugiados.
As agências humanitárias receberam com satisfação o acordo, mas deixaram claro que o regresso dos albaneses étnicos a suas casas não se dará imediatamente. Refugiados entrevistados na Macedônia também exultaram com o desfecho da crise, mas disseram não confiar em Milosevic. "Eles só voltam após a ocupação de Kosovo pelas tropas da Otan", disse Kris Janowski, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

mockup