Washington, 24 (AE-AP) - Em busca de missões mais amplas, líderes ocidentais comprometeram hoje (24) a Otan a tratar de crises além de suas fronteiras - como a de Kosovo - e intensificar a luta contra o terrorismo e armas de destruição em massa.
"A crise em Kosovo sublinha a importância da Otan e o imperativo da modernização de nossa aliança para os desafios do século 21", afirmou o presidente Bill Clinton na abertura da sessão deste sábado.
Ministros da Defesa também começaram a discutir como implementar um recém-autorizado embargo de petróleo à Sérvia.
"Por que estamos fazendo isto? Essencialmente porque sem petróleo, a máquina militar iugoslava irá parar e muito rapidamente", disse o porta-voz da Otan Jamie Shea numa entrevista coletiva.
A questão de como lidar com Kosovo, a província sérvia onde o exército e forças especiais da polícia iugoslavos estão tentando expulsar a maioria albanesa étnica, dominou o primeiro dos três dias da cúpula da Otan e atrapalhou o que deveria ser a celebração dos 50 anos de manutençao da paz na Europa pela aliança.
Shea disse hoje que os 19 líderes discutiram o futuro da região e "o que iremos fazer para que a Iugoslávia pare de ser a ferida aberta da Europa".
O coronel Konrad Freytag, porta-voz militar da Otan, disse que as forças da aliança atingiram durante as anteriores 24 horas alvos na Sérvia e forças da Iugoslávia no solo em Kosovo. Entre os alvos estavam instalações de comando e controle, incluindo dois retransmissores de rádio e torres de transmissão de televisão.
Também foram atacados campos de pouso, refinarias e depósitos de petróleo em Novi Sad.
Na noite de sexta-feira, ministros da Defesa da Otan aprovaram um plano para evitar que petróleo e derivados cheguem à Iugoslávia via Montenegro, disse o ministro da Defesa alemão, Rudolf Scharping.
Pelo plano, segundo Scharping, navios suspeitos de transportarem petróleo serão parados e submetidos a busca na entrada de portos, sendo mandados de volta se necessário.
O secretário-geral da Otan, Javier Solana, uniu-se a Clinton e fez breves comentários antes que a discussão fosse fechada para a mídia.
Kosovo apresenta para a aliança "os mesmos desafios à estabilidade, segurança e bem-estar na Europa" que ela enfrentou quando foi fundada há 50 anos para conter a ameaça soviética, disse Solana.
Depois de um dia dedicado à discussão da crise em Kosovo, os líderes da aliança passaram para a aprovação do conceito estratégico da Otan, essencialmente os princípios básicos da organização: a Segurança da Europa e a Identidade da Defesa. O programa permite que países europeus conduzam operações nas quais os Estados Unidos não estão interessados, mas usando os instrumentos da Otan.
A maior diferença sobre o novo conceito estratégico, que irá substituir o revisado em 1991, refere-se à relação da aliança com as Nações Unidas. Essencialmente, a França e vários outros países europeus querem estabelecer as condições específicas sob as quais a Otan pode tomar ação militar fora de sua tradicional área euro- atlântica.
Os Estados Unidos, embora concordando que a ONU deva ter um papel preeminente, sentem que a questão está adequadamente contemplada no tratado de fundação da aliança e preferem deixar os detalhes vagos. Isto iria permitir que a aliança atue por contra própria em circunstâncias especiais - Kosovo sendo o perfeito exemplo. Se a Otan se submetesse ao Conselho de Segurança da ONU, um veto da Rússia teria proibido uma ação da aliança em Kosovo.
"Existe uma grande diferença entre mim e o presidente Bill Clinton sobre a necessidade de pedir autorização à ONU (antes de tomar ação)", disse o presidente francês, Jacques Chirac, depois de encontrar-se com Clinton na noite de sexta-feira.

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