Otan nomeia ministro inglês para lugar de Solana
Bruxelas, 04 (AE-AP) - O secretário da Defesa da Grã-Bretanha, George Robertson, de 53 anos, foi nomeado nesta quarta-feira (04) secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em substituição ao espanhol Javier Solana, que deixará o cargo em outubro. Solana está à frente da Otan desde 1995. Dentro de dois meses assumirá o comando das áreas de Política Externa e Segurança da União Européia (UE).
Robertson fora indicado na sexta-feira passada para o cargo pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair e seu nome obteve hoje o apoio dos 19 membros da Otan, reunidos em Bruxelas para a decisão. Ele se destacou durante a crise de Kosovo e também por seu empenho na modernização das Forças Armadas britânicas.
O secretário-geral é o porta-voz da organização, preside as reuniões do Conselho Atlântico - órgão supremo de decisão - e atua como mediador entre os membros da Otan.
O mandato é de quatro anos, prorrogável por mais um. Por tradição, o cargo é ocupado por um representante de um país europeu enquanto o comando supremo das forças aliadas é reservado aos Estados Unidos.
Hoje, também foi nomeado o novo titular desse posto: o general norte-americano Joseph W. Ralston, que substituirá o general Wesley Clark.
O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, James Rubin, destacou a eficiência de Robertson durante a crise de Kosovo e a sua participação destacada nos debates cruciais sobre o futuro da Otan.
Em entrevista coletiva, em Londres, Robertson afirmou que será um "desafio enorme" encabeçar a aliança atlântica neste ano em que a organização completa 50 anos e considerando ainda que terá pela frente um século 21 repleto de problemas e turbulências.
"É um dos postos mais duros do mundo e também um dos melhores porque implica olhar para o futuro e tomar agora decisões que afetarão as gerações seguintes", explicou Robertson.
"Na década de 90, a Otan demonstrou em Kosovo e na Bósnia que é tão necessária como foi nas quatro décadas anteriores."
Entre suas prioridades, Robertson destacou a ampliação da aliança atlântica - há vários países do Leste Europeu pleiteando o ingresso -, o fortalecimento dos vínculos entre os membros da Europa e os EUA e a normalização das relações com a Rússia, prejudicadas pela crise de Kosovo.
Ele enfatizou ainda ser favorável à "reformulação da cooperação armamentista" na Europa. "Os países europeus gastam cerca de dois terços do total despendido pelos Estados Unidos em defesa, mas não têm nada parecido a dois terços da capacidade militar deles. O modo como gastamos está errado", observou.
Sua saída do governo britânico obrigará Blair a realizar uma nova remodelação no gabinete. Na semana passada, o primeiro-ministro britânico fez mudanças basicamente nos cargos intermediários de sua administração.
Altos oficiais da área da Defesa na Rússia disseram que a alteração na secretaria-geral será bem-vinda se resultar na mudança da "política militarista da aliança", segundo a agência russa Interfax.
"Há algum tempo, no Ministério da Defesa, estudou-se com atenção um artigo de Robertson no qual ele defendia uma aliança atlântica mais diplomática", afirmaram militares ouvidos pela Interfax.
O governo russo rompeu relações com a Otan após o início da campanha de bombardeios contra a Iugoslávia, mas nas últimas semanas tem buscado uma reaproximação, que espera consolidar com a posse de Robertson.





