Otan não poderá deter embarcações à força
Washington, 26 (AE-ANSA) - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) trabalha com todas as forças para "estrangular" Slobodan Milosevic na frente energética e o general Wesley Clark apresentará na terça-feira (27) ao Conselho de Embaixadores da Otan em Bruxelas o plano estudado para bloquear o fornecimento naval de petróleo em Belgrado.
Sobre as modalidades concretas do projeto, no entanto, as coisas não estão claras. Alguns países, entre os quais França e Itália, apresentaram objeções durante a cúpula da aliança atlântica em Washington e pediram uma nova resolução da ONU que dê apoio legal ao regime de inspeção da Otan.
A idéia de um verdadeiro bloqueio naval - no qual os navios de guerra da Otan possam recorrer à força para deter petroleiros de terceiros países em direção ao porto montenegrino de Bar - está fora de cogitação.
"Ninguém decretou um bloqueio naval", ressaltou ontem o presidente do Conselho de Ministros da Itália, Massimo DAlema.
O regime de inspeção que está tomando forma - explicou o presidente do Comitê Militar da Otan, Klaus Naumann - "não nos dá o direito de obrigar ninguém a abandonar sua rota. Não podemos deter um barco mercante com o uso da força".
O problema remete principalmente à Rússia, que já informou que não quer interromper o fornecimento de petróleo em Belgrado.
Os países da União Européia (UE) aprovaram efetivamente o embargo e pediram aos países associados que o respeitem.
Jamie Shea, porta-voz da Otan, observou que a aliança atlântica está buscando uma base legal para o regime de inspeção naval na resolução 1160 da ONU, na qual foi imposto embargo ao abastecimento bélico em relação à Iugoslávia.
"Este remete também a material relacionado com as armas em sentido estrito. Veremos qual tipo de base legal poderemos dar a esta resolução. Tudo depende da interpretação."
O general Naumann declarou-se otimista, dizendo que o sistema de controle de inspeções da Otan "terá um certo impacto".
Naumann admitiu, porém, que o regime de inspeções da Otan "não terá naturalmente a força de um embargo certificado pelas Nações Unidas. Não teremos a mesma autoridade legal em relação a certos países".





