Belgrado, 07 (AE-REUTERS) - A Otan anunciou hoje (07) ter lançado seus mais intensos ataques até agora contra posições sérvias e que iria manter os violentos bombardeios numa tentativa de conter um êxodo de refugiados que ameaça desestabilizar países vizinhos.
A agência de refugiados da ONU ainda tentava na noite de hoje descobrir o paradeiro de cerca de 30.000 refugiados albaneses étnicos expulsos da destroçada província sérvia de Kosovo, que desapareceram da Macedônia.
Uma confusão reinou durante todo o dia sobre o que havia ocorrido com os milhares que estavam retidos numa terra de ninguém nas proximidades da fronteira iugoslava e que foram abruptamente evacuados pelas autoridades macedônias.
Os Estados Unidos advertiram à Macedônia que o país deveria aderir aos padrões internacionais no tratamento dos refugiados.
Mais cedo hoje, a Otan afirmou que havia lançado seus mais pesados ataques aéreos até agora, sublinhando sua rejeição à declaração de cessar-fogo da Iugoslávia da terça-feira.
O porta-voz militar David Wilby disse numa entrevista coletiva em Bruxelas que aviões da aliança haviam atingido na terça-feira uma coluna de blindados no sudoeste de Kosovo em seu "primeiro grande sucesso" contra forças de terra da Iugoslávia.
Notícias deram conta que o presidente do Chipre, Spyros Kyprianou, estava rumando nesta quinta-feira para Belgrado a fim de buscar a libertação dos três soldados dos EUA capturados por tropas sérvias nas proximidades da fronteira com a Macedônia há uma semana.
Kyprianou disse mais cedo que esperava retornar com os soldados dos EUA desde que algumas condições sérvias fossem aceitas.
Entretanto, um ministro da Grécia que informou que o presidente cipriota estava partindo amanhã para Belgrado afirmou que se os sérvios insistissem na suspensão dos ataques da Otan, a missão fracassaria.
"Se a pré-condição incluir uma suspensão dos bombardeios da Otan, então a missão voltará de mãos vazias", disse o ministro, que pediu para não ser identificado, à REUTERS. "Até o momento, o senhor Kyprianou não ouviu de qualquer condição do tipo de Belgrado".
O assessor de Segurança Nacional americano, Sandy Berger, afirmou em Washington que não podia confirmar que os soldados seriam libertados em breve, mas disse que Washington saudaria a liberdade deles. Um porta-voz do Ministério do Exterior iugoslavo negou-se a comentar o assunto numa entrevista à CNN.
A Rússia, um tradicional aliado da Sérvia, intensificou sua busca por uma solução diplomática, com o presidente Boris Yeltsin pedindo aos líderes mundiais para não descartarem a priori a última proposta unilateral de Belgrado para Kosovo.
O Kremlin anunciou que uma carta de Yeltsin aos líderes do Grupo dos Sete - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão - detalhou as idéias do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, e pediu a eles para reagirem construtivamente.
O vice-ministro do Exterior russo, Alexander Avdeyev, e o enviado especial para o processo de paz de Kosovo, Boris Mayorsky, reuniram- se hoje em Bonn com o ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer.
Entretanto, o presidente Bill Clinton insistiu que "nada mais" que o pleno cumprimento por parte da Iugoslávia de todas as exigências da Otan para Kosovo iria pôr fim à guerra aérea.
"Não é suficiente agora para o senhor Milosevic dizer que suas forças irão fazer uma trégua num Kosovo ao qual tem sido negada sua liberdade e está destituído de seu povo", afirmou Clinton.
"Ele tem de retirar suas forças, permitir o retorno dos refugiados, permitir a entrada de uma força de segurança internacional... Nada menos do que isso irá trazer a paz com segurança para o povo de Kosovo".
O secretário de Defesa William Cohen, em consultas em Bruxelas com aliados, disse que não haverá um alívio na campanha aérea, afirmando numa entrevista coletiva: "Este não é o momento de uma pausa".
Na capital kosovar de Pristina, o primeiro grupo de correspondentes estrangeiros que teve permissão de visitar a província desde o início dos ataques aéreos há duas semanas, ouviram relatos de uma vida na cidade de exaustiva luta pela sobrevivência, marcada pelo tédio e um terror intermitente.
A primeira filmagem independente de Pristina, levada para à Macedônia pela televisão grega Mega, mostrou cenas de devastação.
Repórteres viram que o principal prédio de telecomunicações no centro de Pristina foi severamente danificado por um ataque de mísseis de cruzeiro. Autoridades locais disseram que pelos menos 10 corpos já haviam sido resgatados dos escombros.

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