Belgrado, 05 (AE-REUTERS) - A Otan intensificou hoje (05) seus bombardeios aéreos contra a Iugoslávia enquanto um novo fluxo de 40.000 refugiados de Kosovo fez aumentar o caos que enfrentam trabalhadores humanitários na fronteira com a Albânia e Macedônia.
Aproveitando a melhoria do tempo, forças da Otan conseguiram atingir 28 alvos no 12º dia consecutivo de ataques aéreas contra posições em toda a Sérvia, tornando-o um dos mais efetivos desde o início da campanha.
Oficiais da aliança disseram que foram capazes de usar "todos nossos recursos" e, com previsão de tempo bom nos próximos dias, planejam intensificar os bombardeios que visam parar com a ofensiva militar sérvia contra abanesese étnicos em Kosovo. Sirenes advertindo sobre ataques aéreos foram ouvidas novamente em Belgrado na noite de hoje.
Oficiais da Otan têm reclamado desde o início da campanha há 13 dias que os aviões não conseguiam operar propriamente devido a nuvens baixas.
Entre os alvos atingidos nas últimas horas estão o quartel-general da Força Aérea iugoslava, uma base militar no norte de Belgrado e uma instalação estratégica do exército no sul do país usada para lançar operações militares no Kosovo.
Autoridades da Otan disseram que o número de albaneses étnicos expulsos de suas casas em Kosovo no último ano de conflito chegou a 831.000, ou mais da metade da população original albanesa da província.
Cerca de 34.000 albaneses-kosovares chegaram à Albânia no domingo e 10.000 à Macedônia, elevando o número dos expulsos de Kosovo pelas forças iugoslavas desde o início dos ataques aéreos da Otan em 24 de março para 360.000, segundo a Otan.
Cerca de 150 refugiados exaustos tornaram-se hoje os primeiros a serem retirados de avião da região, tendo sido levados para a Turquia, que prometeu receber 20.000 deles.
A União Européia concordou em aceitar 100.000, e os Estados Unidos, 20.000, mas líderes ocidentais têm sublinhado que trata-se de uma solução temporária, e o objetivo eventual é o retorno dos refugiados para Kosovo.
Tropas dos EUA começaram hoje a construir uma base nas proximidades do aeroporto de Tirana a fim de coordenar operações de ajuda para mais de 200.000 refugiados kosovares, e a agência de alimentos da ONU garantiu que todos estavam sendo alimentados.
Dois aviões de transporte militar dos EUA levaram suprimentos e equipamentos para o aeroporto Rina, de Tirana, incluindo maquinário para um rápido descarregamento de aviões.
A unidade inicial de 35 soldados está preparando o terreno para 400 ou 500 profissionais humanitários que irão estabelecer um acampamento em Tirana como uma força de alívio oferecendo recepção e tratando da distribuição de ajuda.
O Programa de Alimentação Mundial da ONU anunciou que, em contraste com a situação na Macedônia, onde a situação dos refugiados é crítica, a rede de distribuição de alimentos no norte da Albânia está funcionando.
Em Washington, o presidente Bill Clinton afirmou que a denunciada política de Belgrado de "limpeza étnica" em Kosovo não pode continuar, e prometeu que os albaneses étnicos irão retornar à província.
Sublinhando que os ataques da Otan contra os sérvios serão "impiedosos", ele acrescentou: "Estamos preparados para sustentar este plano por muito tempo. Nosso plano é persistir até que tenhamos prevalecido".
Os Estados Unidos anunciaram planos de enviar helicópteros de ataque ar-terra Apache que o secretário de Defesa William Cohen disse serão usados para "ir atrás" de unidades sérvias responsáveis pela implementação da limpeza étnica em Kosovo.
Cohen admitiu que o uso de Apaches envolve um risco maior do que a atual campanha aérea da Otan, mas afirmou que fazia "parte da equação". Ele negou que o deslocamento dos Apaches seria um prelúdio do uso de forças terrestres em Kosovo.
O secretário do Exterior britânico, Robin Cook, emitiu uma advertência direta ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de que não haverá discussão de um acordo de paz para Kosovo enquanto não for revertida a limpeza étnica da província.
Cook afirmou que os refugiados albaneses de Kosovo são vítimas "de uma deportação em massa numa escala que a Europa não tinha visto desde os dias de Stalin e Hitler".
Belgrado afirma que suas forças em Kosovo estão apenas respondendo à agressão do Exército de Libertação de Kosovo e da Otan, a quem a Iugoslávia acusa de violar o direito internacional, patrocinar o terrorismo e buscar o desmembramento da Sérvia.
A mídia estatal divulga que o Ocidente está mentindo sobre um desastre humanitário na província e que os refugiados estão fugindo dos ataques da Otan, e não da repressão sérvia.

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