Moscou, 16 (AE-AP) - Depois de quase um ano de tensão fria por causa das guerras na Iugoslávia e Chechênia, a Rússia e a Otan anunciaram hoje (16) que estavam restaurando suas relações.
"Vejo isso como uma virada de página nos desacordos que tivemos e estamos agora seguindo adiante para uma agenda mais profunda e extensa", afirmou o secretário-geral da Otan, George Robertson, depois de reunir-se com o presidente em exercício Vladimir Putin e outros altos oficiais.
No último ano, a Rússia quase cortou seus laços com a Otan e suspendeu os trabalhos do Conselho Permanente Conjunto - onde os dois lados se consultam em assuntos de interesse comum - em resposta à campanha de bombardeios da Otan na Iugoslávia.
Durante esse tempo, a Otan tem condenado a guerra na Chechênia e acusado a Rússia de usar força excessiva. A tensão também se agravou pela adoção por parte da Rússia de uma nova doutrina de segurança nacional ampliando as circunstâncias nas quais poderia considerar o uso de armas nucleares.
A Rússia também está insatisfeita com a expansão da Otan para o Oriente e se opõe à disposição das antigas repúblicas soviéticas bálticas de tornarem-se membros da aliança ocidental.
Robertson admitiu que ainda existem disputas entre as duas partes, dizendo numa entrevista coletiva conjunta com o ministro do Exterior russo, Igor Ivanov, que a retomada das relações siginifica que "saímos da terra congelada para um terreno um pouco mais macio".
Ivanov afirmou que os dois lados se vêem mutuamente como importantes parceiros estratégicos para oferecer segurança na Europa e no mundo em geral.
O atual objetivo da Rússia e da Otan "é restaurar a confiança e definir esferas de interação onde possamos cooperar efetivamente no interesse da estabilidade e segurança", afirmou.

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