Otan diverge sobre ameaça à tevê sérvia
Bruxelas, 08 (AE-REUTERS) - Autoridades políticas e militares da Otan entraram em choque hoje (08) sobre se a aliança planejava ou não calar a televisão sérvia como parte de sua campanha aérea contra a Iugoslávia na crise de Kosovo.
Poucas horas depois de um porta-voz militar descrever o sistema de comunicação iugoslavo como um "alvo legítimo", um alto funcionário da Otan o contradisse,
"Vamos deixar claro", afirmou o funcionário. "Não gostamos da televisão sérvia. Mas ela não é um alvo militar".
Ele disse que alguns transmissores estavam ligados a retransmissores de rádio militares, servindo a objetivos duplos, e como tal foram atingidos por aviões da Otan e continuarão a ser alvejados.
Mas ele deixou claro que a Otan não tem planos de bombardear a estação de televisão sérvia, nem estava emitindo "um ultimato" exigindo tempo nas transmissões para programas de notícias ocidentais, como sugeriu hoje o porta-voz militar da aliança David Wilby numa entrevista coletiva.
As declarações de Wilby normalmente são autorizadas pelo comandante-supremo da Otan, general Wesley Clark.
Chamando a rádio e televisão sérvias de um instrumento de propaganda e repressão, Wilby afirmou: "Elas têm enchido as ondas de ódio e mentiras por anos, especialmente agora. Elas são, desta forma, um alvo legítimo nesta campanha".
Mas ele deu ao presidente iugoslávio, Slobodan Milosevic, uma saída.
"Se o presidente Milosevic oferecer tempo igual para transmissões de notícias ocidentais sen censura em seus programas - três horas por dia entre o meio-dia e as 18 horas e três horas diárias entre 18 horas e meia-noite - então esta televisão pode tornar-se um instrumento aceitável de informação pública", disse Wilby.
A rádio e televisão sérvia, RTS, por seu lado, aceitou o desafio da Otan, e ofereceu a concessão do tempo pedido em troca de espaços semelhantes nas estações dos países da aliança.
Os aliados estão irritados com uma máquina de propaganda que diz que os bombardeios da Otan causaram o êxodo em massa dos albaneses étnicos de Kosovo e nega que exista qualquer "limpeza étnica".
Wilby disse que as transmissões da Otan serviriam para contar a verdade ao povo sérvio sobre a situação em Kosovo e sobre os ataques aliados à Iugoslavia.
A chefe de redação da RTS, Tatiana Lenart, rebateu dizendo que "para dizer a verdade, nós não precisamos de seis horas diárias, mas apenas seis minutos".





