Genebra, 29 (AE-AP) - A Otan deveria admitir que sua campanha de bombardeios contra a Iugoslávia resultou num fracasso e enviar tropas terrestres para combater extremistas albaneses e restaurar a balança étnica em Kosovo, afirmou hoje (29) um especialista da ONU.
"O bombardeio não resolveu problema nenhum. Ele só multiplicou os problemas existentes e criou novos", disse Jiri Dienstbier a repórteres depois de apresentar seu relatório para as 53 nações da Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Dienstbier, um ex-ministro do Exterior da antiga Tchecoslováquia, listou os resultados.
"A economia iugoslava foi destruída. Kosovo está destruído. Existem agora centenas de milhares de pessoas desempregadas. Uma limpeza étnica foi substituída por outra limpeza étnica. Existe um grande pessimismo geral".
As forças de paz na província têm agora apenas uma opção - prepararem-se para lutar em terra contra extremistas albaneses- kosovares, a fim de que a balança étnica com sérvios e outros na província possa ser restaurada, afirmou.
Apesar de o Exército de Libertação de Kosovo ter sido oficialmente desmantelado, ele está efetivamente em controle da maior parte da província, disse Dienstbier.
Se a Otan estava preparada apenas para conduzir ataques aéreos e não para arriscar vidas de tropas terrestres, "o que eles podem esperar?".
Ele afirmou que encontrou oficiais dos Estados Unidos na região que compartilham no geral sua visão pessimista.
"Apenas alguns me explicaram que este é um ano de eleições presidenciais (nos EUA), e é muito difícil mudar políticas depois de anos de uma certa política", afirmou Dienstbier.
Muitos outros países têm o mesmo problema "porque políticos que são responsáveis pelo que aconteceu lá estão muito cuidadosos antes de promover mudanças na política", acrescentou.
A única maneira de escapar deste beco sem saída no qual a Otan e as Nações Unidas se encontram é fazer o que for necessário para restaurar a vida normal em Kosovo, disse.
"Se tal decisão não for tomada, o conflito pode não só ser permanente, mas pode se espalhar", afirmou.
Dienstbier disse acreditar que os governos poderiam tomar tal atitude sem constrangimento.
Ele acrescentou que a comunidade internacional não pode aceitar a independência de Kosovo enquanto cerca de 250 mil não-albaneses foram forçados a deixar suas casas, numa limpeza étnica
"Isto significará o espalhamento do conflito e uma nova catástrofe humanitária. Penso que ninguém deveria aceitar a independência de Kosovo nas atuais circunstâncias", disse.

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