Bruxelas, 16 (AE-AP) - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou neste domingo (16) que intensificará os bombardeios contra a Iugoslávia, apesar do risco de matar mais civis albaneses de Kosovo que poderiam estar sendo utilizados como escudos humanos pelas forças sérvias.
Sem apresentar provas consistentes, os porta-vozes da aliança atlântica mencionam a possibilidade de o uso desses refugiados ter sido a razão da morte de pelo menos 87 albaneses étnicos - segundo cifra da agência iugoslava Tanjug - na aldeia kosovar de Korisa. O incidente ocorreu sexta-feira.
"Ampliaremos a campanha aérea com o objetivo de alcançar, com mais eficiência, as forças terrestres (da Iugoslávia)", afirmou
em Tirana, o comandante supremo das forças da Otan na Europa, o norte-americano Wesley Clark.
"Sabemos que os escudos humanos são um perigo real em toda a Província de Kosovo, mas temos muita confiança em nosso sistema de identificação de alvo", prosseguiu o general, sem fazer referência direta a Korisa.
No sábado, a aliança reconheceu ter havido vítimas civis no ataque que empreendeu contra Korisa, mas rechaçou a acusação de que tivesse cometido um novo erro.
Segundo os porta-vozes, o ataque foi dirigido a "um legítimo alvo militar", especificando tratar-se de "um acampamento militar e um posto de comando". A Otan desmentiu também acusações de que tivesse usado bombas de fragmentação na ofensiva.
O governo do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, porém, assinalou que o ataque foi "um exemplo esclarecedor do caráter genocida da agressão da Otan".
A aliança informou hoje que os bombardeios aéreos prosseguiram nas 24 horas anteriores contra o sudeste de Kosovo. A Otan insiste em desmentir informações do governo iugoslavo, segundo as quais agentes da polícia e do Exército da Iugoslávia se estavam retirando parcialmente da região de Kosovo.
Uma comissão mista das Nações Unidas, presidida pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello, chegou hoje a Belgrado para a avaliar as necessidades da ajuda humanitária, principalmente em Kosovo.
"Disseram que poderemos visitar todas as regiões da província; vamos verificar os danos que a guerra causou na área e analisar o que pode ser reconstruído para permitir a volta dos refugiados", disse Mello.
Pressão de Blair - O primeiro-ministro britânico Tony Blair está pressionando o presidente norte-americano Bill Clinton para que se decida rapidamente sobre o envio de tropas terrestres para a Iugoslávia, informaram hoje fontes governamentais em Londres.
Segundo essas fontes, Blair está convencido de que não existe outra alternativa para pôr fim à guerra e obter a rendição incondicional de Milosevic.
Em artigo firmado conjuntamente na edição de hoje do jornal The Washington Post, a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright e o secretário de Relações Exteriores britânico Robin Cook reiteraram que os ataques contra a Iugoslávia não cessarão até que Milosevic ceda às exigências da Otan de frear a "limpeza étnica" dos albaneses de Kosovo e concordar com a presença de tropas internacionais, tendo a Otan como núcleo, na província.
"Caso Milosevic aceite essas condições e dê vigência imediata a elas, a campanha de bombardeios poderia ser encerrada logo depois", consideraram as duas autoridades.
"Milosevic está isolado na comunidade internacional e começa a ficar isolado também em seu país, onde os soldados sérvios desertam às centenas todos os dias."

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