Belgrado, 06 (AE-AP) - O presidente iugoslavo Slobodan Milosevic disse nesta quinta-feira (06) que um acordo político para a crise em Kosovo será possível depois que a Otan parar a campanha de bombardeios, na primeira resposta de Belgrado a uma nova fórmula internacional para solucionar o conflito.
Enquanto isso, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) manteve seus ataques contra alvos iugoslavos nesta quinta-feira, atingindo uma área residencial na segunda maior cidade sérvia e diversos alvos em Kosovo.
Quatro pessoas ficaram feridas na tarde desta quinta-feira quando uma bomba caiu entre uma escola e um edifício residencial em Novi Sad, informou a rede Studio B. A bomba quebrou janelas em prédios próximos e deixou uma grande cratera. Detonações também foram ouvidas nas proximidades do monte Fruska Gora, informou a agência de notícias oficial iugoslava Tanjug.
A Otan também atacou ao longo de Kosovo, onde forças sérvias continuam seu combate contra o Exército de Libertação de Kosovo (ELK). Quatro civis ficaram feridos quando os aliados atacaram Lipljan, cerca de 20 quilômetros ao sul da capital kosovar de Pristina.
Uma explosão também foi relatada nas proximidades de Ponikve, no centro da Sérvia. A Tanjug informou que mísseis da Otan atingiram uma indústria química próxima ao porto de Prahovo, no rio Danúbio, na fronteira sérvia com a Romênia. Há informações de que uma pessoa ficou ferida.
Durante a madrugada, foram atacados dois depósitos de combustível em um grande centro industrial perto de Nis. Uma ponte próxima a Novi Pazar, no sudoeste da Sérvia, e um campo militar no centro do país também foram destruídos no fim da noite de quarta-feira, informou uma rádio montenegrina.
Em Belgrado, onde o fornecimento de energia ainda era deficiente após ataques ocorridos domingo contra duas usinas de energia, as sirenes de alerta soaram diversas vezes, mas não há informações de ataques ocorridos na cidade.
Os ataques desta quinta-feira foram realizados enquanto ministros de Exterior dos países do Grupo dos Oito (G-8) se reuniam na Alemanha e anunciavam um plano de sete pontos pedindo a entrada de "presença de efetivos internacionais civis e de segurança" em Kosovo "capazes de garantir o alcance de objetivos comuns". O plano deve ser endossado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
Enquanto os ministros revelavam o plano, Milosevic e o presidente sérvio Milan Milutinovic se reuniam com o enviado grego Carolos Papaouillas, presumivelmente para discutir o esboço da proposta.
Ainda hoje, a imprensa estatal citou Milosevic dizendo que a Iugoslávia continuaria com seus esforços para alcançar uma solução política para a crise em Kosovo, uma província da República Sérvia.
"Nós acreditamos que uma solução para as questões abertas só podem ser alcançadas por meio do processo político de diálogos diretos, que está ligado ao fim da agressão, à retomada da paz e ao retorno dos cidadãos iugoslavos às suas casas." A imprensa estatal citou Milosevic dizendo que a "agressão da Otan deve parar imediatamente".
Milutinovic acusou a Otan de alinhar-se aos "terroristas" albaneses étnicos no conflito em Kosovo, onde o ELK luta por independência. No entanto, Milutinovic disse que a Otan não se importava com os albaneses étnicos porque sua campanha aérea destruiu suas casas em Kosovo e os forçou a fugir para os países vizinhos.
Em entrevista ao jornal austríaco Kurier publicada nesta quinta-feira, o ministro de Exterior da Iugoslávia, Zivadin Jovanovic, disse que seu país aceitaria uma força comandada pela ONU, mas não determinou se ela poderia ser armada.
"Nós aceitamos uma presença internacional, uma missão da ONU", disse ele à publicação. "O mandato, a estrutura e o número de soldados deveria ser determinado entre a Iugoslávia e o secretário-geral da ONU Kofi Annan."
O plano foi mencionado apenas no 27º minuto do noticiário da principal tevê estatal sérvia, que sublinhou a suposta exigência da Rússia de que as tropas da Otan não poderiam entrar em Kosovo sem consentimento da Iugoslávia. A reportagem também mencionou que a missão de manutenção de paz deveria ser negociada diretamente entre a Iugoslávia e as Nações Unidas.
Milosevic rejeitou repetidamente as exigências da Otan de que as forças em Kosovo deveriam ser bem armadas e robustas.
Jovanovic negou-se a comentar se a força poderia ser armada ou não, considerando-a "apenas uma missão da ONU... composta por Estados neutros, não incluindo aqueles que participaram da agressão contra a Iugoslávia".
A Otan iniciou os ataques contra a Iugoslávia em 24 de março em uma tentativa de interromper as atrocidades contra os albaneses étnicos em Kosovo. Desde então, mais de um terço dos 2 milhões de habitantes de Kosovo fugiu da província, a maioria para Macedônia e Albânia.
A fronteira da Macedônia permaneceu fechada nesta quinta-feira
um dia depois de as autoridades interromperem a passagem de refugiados, argumentando que o país não pode aceitar mais do que os 200.000 - ou um décimo de sua população normal - que já estão no país.

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