Otan aprova plano de mobilização de 50 mil soldados
Bruxelas, 25 (AE-AP) - O Conselho da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aprovou hoje (25) plano de mobilização de 50 mil soldados para formar a força de paz que entrará em Kosovo para supervisionar, após o fim do conflito, o retorno seguro de quase 1 milhão de refugiados. Estudos preliminares feitos pela Comissão Militar da Otan em outubro recomendavam uma força de 28 mil homens, no máximo.
"A composição das tropas sairá nos próximos dias", disse o secretário-geral da Otan, Javier Solana. A ampliação do efetivo deve-se, segundo ele, ao agravamento da crise. "Cada país membro da aliança ficará sabendo em breve com quantos homens contribuirá." A aliança mantém atualmente 12 mil homens na Macedônia e cerca de 8 mil na Albânia.
Segundo Solana, a futura tropa será equipada com armas pesadas moderníssimas, "para responder à altura qualquer tipo de agressão". Ele reafirmou que a Otan não tem intenção de invadir Kosovo por terra, ressalvando, porém, que nenhuma opção no campo militar deve ser descartada. No último fim de semana, o chanceler britânico, Robin Cook, referira-se a esse contingente, afirmando que sua missão "será levar os albaneses étnicos para casa com ou sem acordo".
O porta-voz da Otan, Jamie Shea, disse, por sua vez, que a aliança continua apostando na eficiência da campanha aérea, que hoje completou 63 dias. Caças-bombardeiros F-15, F-16, F-117-A e Tornados e fortalezas voadoras B-1 e B-52 atacaram postos sérvios de comando militar, incluindo mais uma vez o Ministério da Defesa (em Belgrado) e a residência do presidente Slobodan Milosevic.
Voltaram a despejar bombas de grafite em centrais termoelétricas, deixando a Sérvia sem luz e água (os motores elétricos de bombeamento das adutoras pararam) pelo quarto dia consecutivo. "Pelo menos 60 mil doentes em hospitais do país estão correndo sério risco com a interrupção da energia elétrica", disse a ministra da Saúde, Leposava Milicevic.
Reagindo a essa afirmação, Shea, o porta-voz da Otan, disse que o governo iugoslavo dispõe de geradores em número suficiente para manter hospitais e escolas em funcionamento. "Enquanto os sérvios de Belgrado passam por alguns transtornos, os kosovares enfrentam uma terrível tragédia."
Entre os dramas sofridos pelos albaneses étnicos, a ONU inclui um número alarmante de denúncias de violações de mulheres entre 15 e 25 anos. Segundo denúncias de refugiadas, soldados e policiais sérvios reúnem grupos de 5 a 30 mulheres que são levadas a locais ermos e estupradas sob ameaça de serem queimadas vivas. Muitas das vítimas temem agora ser abandonadas por seus maridos e famílias.
O número de refugiados que os sérvios despejam sistematicamente de ônibus, caminhões e trens nas fronteiras macedônia e albanesa cresceu consideravelmente nas últimas 72 horas, numa operação classificada pela ONU de "última etapa da campanha de limpeza étnica".
Na frente diplomática, o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, reúne-se amanhã em Moscou com o negociador russo Viktor Chernomyrdin. O Kremlin espera chegar a um entendimento com a Casa Branca sobre a composição e o comando da força de paz que desembarcará em Kosovo. "Estamos otimistas", disse Chernomyrdin, que ainda esta semana vai a Belgrado.
Já o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ressaltou, em Estocolmo (Suécia), que, no seu entender, ainda há um longo caminho diplomático a ser percorrido, antes de conclusão de um acordo.





