Ostras e mariscos estão contaminados
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terça-feira, 20 de março de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
Testes feitos no laboratório da Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC) comprovaram que as ostras e mariscos coletados na Baía de Guaraqueçaba (Litoral do Estado) estão contaminados. Nos bioensaios feitos com camundongos, injetou-se extrato da toxina encontrada nos moluscos. As cobaias apresentaram sintomas de hiperatividade, seguida de prostração (enfraquecimento), distúrbios respiratórios e acabaram morrendo.
Novas análises irão confirmar se a toxicidade encontrada nos mariscos e ostras tem relação com a floração das algas do tipo Heterosigma cf. carterae, espécie altamente tóxica típica da Flórida (Estados Unidos) e Nova Zelândia. Segundo Luís Antônio de Oliveira Proença, professor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (Cttmar), da Univali, do ponto de vista sanitário já está comprovado que os frutos do mar não devem ser consumidos.
Proença diz que não há, no mundo, nenhum registro de mortes de pessoas por ingestão da alimentos contaminados pela toxina. Entretanto, a toxina detectada nas algas (chamada brevetoxina) atua no sistema nervoso, podendo causar náuseas, vômitos, distúrbios gastrointestinais e alterações entre as sensações de frio e quente.
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve receber, ainda esta semana, os padrões (toxina pura) importados da França. Como é um fato totalmente novo, já que é a primeira vez que se tem registro da floração desse tipo de alga no Brasil e até na América Latina, serão feitas novas análises, por métodos químicos, para ter certeza, do ponto de vista científico, se são as algas que estão contaminando os moluscos, esclareceu Proença.
O Ibama enviou ontem amostras de ostras colhidas na Baía de Guaraqueçaba (Litoral do Estado) para serem analisadas por especialistas da Carolina do Norte (Estados Unidos). Os americanos irão avaliar o grau de toxicidade encontrado nos moluscos, considerados as espécies mais resistentes às toxinas. Também ontem o Ibama fez novas coletas da água, das algas, de mariscos e camarões e encaminhou para a Univali.
A partir dessas análises, o Ibama decidirá se libera a pesca e a comercialização de peixes e frutos do mar em Guaraqueçaba. Como os resultados dos exames só devem retornar ao Brasil na semana que vem, o tempo de proibição da pesca será maior do que o inicialmente previsto (até dia 23), tornando ainda mais crítica a situação dos pescadores do município. Estamos mantendo contato com a Delegacia Regional do Trabalho para viabilizar a liberação de salário-desemprego para esses pescadores, afirmou o superintendente do Ibama no Paraná, Luiz Nunes Melo.
O presidente da Colônia de Pescadores de Guaraqueçaba, José Filipe da Souza Neto, disse ontem que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) se comprometeu a fornecer cestas básicas para cerca de 800 famílias que sobrevivam da pesca no município. A assessoria de imprensa da Sema confirmou a distribuição das cestas, mas não soube informar quando será realizada.


