Osteoporose coloca em risco a autonomia
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Cálcio, exercícios e sol - este é o tripé em que se baseia a prevenção da osteoporose, doença silenciosa que, em casos graves, pode comprometer a autonomia do paciente. Sem sintomatologia, o diagnóstico da doença, que atinge de 20% a 30% das mulheres na pós-menopausa, ocorre quase sempre com a primeira fratura. A mais comum, no punho. Ou quando a paciente começa a perder estatura, por achatamento ou microfraturas nas vértebras.
A doença, explica o reumatologista e geriatra José Vicente Garcia Veloz, do Hospital de Clínicas (HC) da UEL, se caracteriza pela perda de massa óssea. ''Acima de 30% já é considerada osteoporose'', ressalta. Com essa perda, diagnosticada por um exame chamado densitometria óssea, o osso fica poroso e aumenta a probabilidade de ocorrerem fraturas, através de pequenos traumas, ou mesmo espontaneamente.
Mas por que se preocupar se a doença não dói e tem como consequência ''apenas'' a fratura? - é o que se perguntam muitos pacientes. O problema é que quando o caso é de uma pessoa com idade acima de 65 anos, a recuperação de uma fratura é muito diferente da de um jovem.
Estatísticas apontam, segundo Veloz, que em uma fratura no colo do fêmur, por exemplo, a possibilidade de morte é de 20% nos primeiros 12 meses após a cirurgia corretiva. Outros 20% a 30% dos pacientes ficam acamados e de 20% a 30% em cadeira de rodas. O restante usa muletas ou volta a caminhar 'quase' normalmente. ''Números que mostram a repercussão da doença na autonomia do paciente, na família e também nos serviços de saúde'', ressalta. Embora não exista estudos epidemiológicos da doença, a Sociedade Brasileira de Reumatologia cita a ocorrência anual de 1,5 milhão de fraturas decorrentes da osteoporose. Desse total, 250 mil são fraturas de fêmur.
A perda óssea, explica o médico, acontece naturalmente com o envelhecimento, algo em torno de 1% a 2% ao ano, a partir dos 30 anos de idade, quando a formação da massa óssea se estabiliza. Uma alimentação rica em cálcio, atividade física e exposição controlada ao sol, favorecem uma formação maior de massa óssea, como uma espécie de ''poupança''. ''Daí, uns vão ter mais, outros menos, para gastar'', exemplifica.
Mas, se perda óssea todo mundo vai ter, há casos, principalmente mulheres no período da menopausa, quando deixam de agir hormônios que têm influência no metabolismo do cálcio, em que isso é mais rápido. Veloz explica que, na menopausa, as mulheres se dividem em dois grupos, das que vão continuar perdendo osso em 1% a 2% ao ano, e em 20 ou 30 anos poderão ter osteoporose, dependendo da ''poupança'' que fizeram. Ou aquelas ''rápidas perdedoras de osso'', na velocidade de 4% a 5% por ano, e em quatro ou cinco anos já terão osteoporose.
Além dos hábitos individuais, histórico familiar, sexo, condição física e raça também predispõem mais ou menos para a osteoporose. As mulheres são mais propensas, pelo aspecto hormonal. Já os negros, não têm a doença. E uma pessoa obesa tem menos chances de ter osteoporose. ''Se a avó tem, a mãe vai ter e a filha deve se cuidar'', alerta o reumatologista. Tabagismo, alcoolismo, dieta vegetariana e alta ingestão de proteínas e cafeína permanentemente, associados a outros fatores, também trazem risco de osteoporose.
Como a doença é crônica, a prevenção é o melhor a se fazer, recomenda o médico. ''Cuidados com os ossos devem começar desde o nascimento. Aos 40, já está um pouco atrasado, mas ainda é possível prevenir'', afirma o médico, que recomenda inclusive um exame de densitometria óssea nos check-ups periódicos feitos pelas mulheres.(Com Agência Estado)


