Apesar de ser mais relacionada a mulheres, a osteoporose, doença caracterizada pela perda de massa óssea, também atinge os homens. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into) do Ministério da Saúde, desenvolvida no ano passado, constatou que o problema acomete significativamente os homens. No caso deles, apesar da doença aparecer em idades mais avançadas, a mortalidade é maior, se acontecem fraturas.
A fase inicial da pesquisa analisou 712 homens que procuraram o Instituto para participar do estudo, todos com idade acima dos 50 anos. O resultado apontou que 19,5% dos homens apresentavam a doença. Na segunda fase da pesquisa, feita com amostragem aleatória, também com homens acima de 50 anos, a osteoporose foi encontrada em 15% dos casos. Novos resultados deverão ser apresentados até o final do ano pelo Into.
Para detectar a doença, os participantes responderam questionários para avaliação dos fatores de risco e passaram por exame de densitometria óssea. Também foram detectados casos de osteopenia, considerado o estágio intermediário da doença, quando começa a acontecer diminuição da massa óssea.
A endocrinologista Victória Borba, de Curitiba, especialista em doenças ósseo-metabólicas, explica que os homens não têm o maior fator de risco para osteoporose, que é a menopausa. Nesse período da vida da mulher há diminuição da produção de estrogênio, hormônio responsável pela formação óssea. Mas o aumento da expectativa de vida mostra que a doença aparece principalmente nos indivíduos com idade mais avançada, por volta dos 70, 75 anos.
Na pesquisa do Into, os homens com idade entre 50 e 59 anos apresentaram osteoporose com uma prevalência de 11,6% dos casos. Entre os pacientes com 80 anos ou mais, o número de acometidos chegou a 36,4%.
Entre as causas da doença nos homens estão a falta de testosterona e o fator hereditariedade. A osteoporose também atinge com mais frequência quem fuma e quem consome bebidas alcóolicas. Cerca de 29% dos participantes da pesquisa que apresentaram a doença fumavam. Outro agravante da osteoporose nos homens é o uso de cortisona, hormônio utilizado para outros tratamentos.
Os homens apresentam fraturas em idade mais avançada que as mulheres (75 anos contra 65 nas mulheres), neles a mortalidade é maior -enquanto 19% das mulheres morrem em média um ano depois da fratura do fêmur, no sexo masculino esse número quase dobra, subindo para 39%. A fratura do fêmur, segundo a médica, é considerada uma das mais graves, pois além da alta mortalidade, implica em grande índice de incapacidade e dependência. ''50% dos que fraturam o fêmur não voltam a ter a vida que tinham antes'', aponta.
Uma das novidades para tratar a osteoporose, segundo a médica, é uma medicação que pode ser ingerida uma vez ao mês. Mas, o uso é indicado se o risco de fratura for grande.
O melhor mesmo é prevenir a osteoporose com prática de atividades físicas e ingestão de cálcio e vitamina D, principalmente na forma de leite e derivados. Essas medidas também podem retardar a evolução da doença.

mockup