Moscou, 19 (AE-ANSA)- O atentado que provocou a morte de mais de 50 pessoas em Vladikavkaz, capital da República Caucasiana da Ossétia do Norte, se insere nos conflitos étnicos que enfrentam há anos os povos dessa ex-região soviética.
Vladikavkaz recebeu seu nome logo depois da conquista russa no final do século VIII e significa "Dominadora do Cáucaso", uma síntese de toda a história e o destino desta cidade de 300.000 habitantes transformada nos últimos anos num barril de pólvora.
A partir dessas terras as tropas russas, primeiro imperiais e depois soviéticas, dominaram centenas de povos que em grande parte de sua história viveram lutando entre si no inquieto Cáucaso.
Em 1991 explodiu o primeiro conflito aberto entre etnias na última fase da história da ex-União Soviética: com os georgianos sufocando a reivindicada autonomia da Ossétia do Sul, república autônoma da Geórgia.
Derrotados, muitos ossetianos do sul emigram para Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte.
Em 1992 explodiu um conflito entre ossetianos e ingushes na mesma cidade. Nesse ano começaram também a regressar à sua pátria descendentes de populações que haviam sido deportadas por Stalin para a ásia Central, acusadas de colaborar com os nazistas.
Os descendentes dos deportados reocuparam as terras de seus pais que haviam sido entregues aos ossetianos e houve lutas sangrentas.
Outros milhares de refugiados chegaram mais tarde da vizinha Chechênia depois da entrada de tropas russas nessa república rebelde em 1994 para arrancar dos chechenos a bandeira da independência.
De todos os atentados sofridos pela região desde então, o de hoje foi o mais sangrento.

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