Ossadas com ferimentos de bala e mãos atadas aparecem em fossa comum
Santiago, 24 (AE-AP) - Uma ossada com ferimentos de bala e mão atadas se converteu no décimo primeiro cadáver encontrado em uma fossa comum que poderia ser de presos-desaparecidos da ditadura de Augusto Pinochet.
O juiz Juan Guzmán exumou centenas de corpos de quatro fossas da cidade sulista de Concepción, e assinalou que estes 11 corpos têm "interesse legal" para seu propósito de encontrar e identificar presos-desaparecidos.
Familiares das vítimas do regime militar rodearam hoje as fossas comuns, ergueram as mãos segurando cravos e fotografias de seus parentes, e oraram por eles e pelo êxito das investigações de Guzmán.
A antropóloga Isabel Reveco disse que ela e seus colegas ficaram impressionados ao ver como os parentes foram chegando ao local das fossas, 500 quilômetros ao sul de Santiago.
Desde segunda-feira, médicos legistas removeram toneladas de terra que cobriam quatro fossas onde normalmente são enterrados indigentes, pessoas que não foram reclamadas por parentes e os que foram enterrados no anonimato.
Em Concepción as fossas comuns são conhecidas como "a cave", e estima-se que estejam enterradas aí cerca de 850 pessoas, das quais 300 foram exumadas esta semana.
Familiares e ativistas dos direitos humanos procuram os restos de 24 presos-desaparecidos, mas até hoje só apareceram 11 ossadas que poderiam ser de vítimas da ditadura, já que apresentam múltiplas fraturas e orifícios feitos presumivelmente por balas.
A maioria dos restos estava sem roupa, envoltos em trapos e cobertos por plástico. Segundo a legista Patricia Hernández, os restos encontrados hoje tinham as mãos atadas por um cinturão.
O juiz Guzmán insistiu que a identificação dos restos levará cerca de três meses.
Guzmán ordenou a remoção dos restos da "cave" porque investiga o desaparecimento de opositores durante a ditadura e até o momento recebeu 77 queixas criminais contra Pinochet por assassinatos e desaparecimento de pessoas.
A ditadura deixou 3.000 opositores mortos, incluindo pouco mais de mil desaparecidos, segundo uma investigação oficial feita por uma comissão de Verdade e Reconciliação, entre 1990 e 1991.





